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O amor cristão nos EUA expulsa jovens de casa por serem gays

Cacciati dai genitori migliaia di gay diventano homeless

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Ser um homem feminino

Salve, salve a alegria, A pureza e a fantasia […]

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DAR A BUNDA

Se dar a bunda... Já era!

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Ainda falando sobre promiscuidade

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A culpa é da promiscuidade: um erro conceitual

os gays são promíscuos e quem não ?

 A culpa é da promiscuidade: um erro conceitual
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Carpe Anum // Carpe Culum

Carpe o quê?

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Sessão Pipoca: The Trip

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Justiça de BH autoriza casamento homossexual

Carlos Eduardo e Jorge irão formalizar união em abril próximo...

Justiça de BH autoriza casamento homossexual Justiça de BH autoriza casamento homossexual

A culpa é dos gays?

Site atribui responsabilidade aos gays por mulheres estarem solteiras em Campo Grande...

A culpa é dos gays? A culpa é dos gays?

Querem desprestigiar os gays!

O Vaticano lançou uma crítica sobre a matéria publicada nos meios de comunicação...

Querem desprestigiar os gays! Querem desprestigiar os gays!

Uma defesa para Silas Malafáia.

mas não há outra coisa a se fazer aqui, nesse momento, depois de ler em alguns blogs evangélicos

Uma defesa para Silas Malafáia. Uma defesa para Silas Malafáia.

Sessão Pipoca: Mambo Italiano

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Sessão Pipoca: Mambo Italiano Sessão Pipoca: Mambo Italiano

Banho Turco/ Hamam -- Il Bagno Turco- Sessão Pipoca

Esse filme eu descobri por conta do meu professor de italiano, que constantemente...

Banho Turco/ Hamam -- Il Bagno Turco- Sessão Pipoca Banho Turco/ Hamam -- Il Bagno Turco- Sessão Pipoca

quarta-feira, março 31, 2010

Porque tão somente a Bíblia me diz! P. 10

último vídeo do documentário, ele traz a ordenação do Rev. Gene Robison ao episcopado da Igreja Anglicana. Um marco para os homossexuais, uma vez que o Rev. Gene além de, assumidamente, homossexual, mantém relacionamento estável com seu parceiro. O preconceito, o ódio e o rancor por parte dos evangélicos são visíveis e incontestáveis nesse vídeo

terça-feira, março 30, 2010

Jornal Hoje divulga notícia sobre Ricky Martin

"Tenho orgulho de dizer que sou um felizardo homem homossexual. Sou muito abençoado em ser o que sou" (Ricky Martin).

Filme: Pecado da Carne

Amor gay entre judeus ortodoxos, estreia sexta

 

 

A Festival Filmes vai lançar no Brasil em 03 de abril, em São Paulo, o polêmico e bem produzido “O Pecado da Carne”, filme dirigido por Haim Tabakman e que conta a história de amor entre dois judeus ortodoxos. Na histórica Jerusalém, Aarão Fleshman (Zohar Straus) é um açougueiro casado e pai de cinco filhos que vê tudo mudar com a chegada do jovem Ezri (Ran Danker). “Pecado da Carne” foi um dos 104 filmes exibidos durante a 17º edição do Festival Mixbrasil de Cinema da Diversidade Sexual, em 2009.

Depois de ir a Jerusalém em busca de um caso seu, outro judeu ortodoxo, e levar o fora dele, o rapaz é levado pelo destino à porta do açougue de Aarão, que coincidentemente precisa de um ajudante em seu negócio. Tudo é muito sutil entre os dois durante o clima de tensão sexual não concretizada. Haim coloca toda a mensagem nos olhares e expressões faciais.

O açougueiro vê então sua vida invadida pela presença de seu agora aprendiz e seu cotidiano totalmente bagunçado, mexido pela energia jovem e cheia de vida de Ezri - que se joga para cima do patrão em uma primeira vez fracassada. Mas no dia seguinte, quem vai pra cima é Aarão, não conseguindo mais segurar seu desejo de ter em seus braços o corpo todo daquele lindo rapaz.

Os dois finalmente conseguem ficar juntos, mas isso desperta o falatório geral dentro da conservadora comunidade judaica, ciente de que Ezri é homossexual. Começa então uma verdadeira guerra da opinião do povo judeu ortodoxo contra o aprendiz de açougueiro, com direito a cartazes difamatórios espalhados pelas ruas, pedras atiradas contra o açougue e olhares o tempo todo cheios de censura e reprovação.

Em nome da esposa, dos cinco filhos e de sua religião, Aarão decide deixar de viver seu desejo plenamente - se sentir vivo, como diz -, demite Ezri e se encerra no colo da mulher dizendo: “me proteja do Mal”. Mal este que nada mais é do que o amor por seu ajudante. Com a partida do rapaz, o açougueiro vai até a nascente do Rio Jordão para um banho de purificação e volta a morrer em sua agora sem graça vida.

Fonte: Mix Brasil

"caRIOcas", série nacional de temática gay

Seriado gay brasileiro atinge meta de financiamento e deve sair do papel

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Aí vai uma boa notícia para quem está esperando ver sair do papel um dos seriados de temática gay brasileiros: a produção "caRIOcas" conseguiu atingir sua meta de financiamento por meio do site gringo KickStarter e deve produzir em breve seus 15 primeiros capítulos.

Desde fevereiro deste ano, os realizadores da série vinham fazendo uma campanha virtual para que internautas doassem qualquer quantia em dinheiro, a partir de 1 dólar, com o intuito de viabilizar o começo da saga. A inteção era conseguir 10 mil dólares, objetivo conquistado dias antes do fim da campanha, marcado para esta terça, 30.


De acordo com André Mello, diretor da série, os primeiros episódios, com duração entre 5 e 10 minutos cada, serão exibidos no cariocas.tv, começando no fim de 2010.

"Nosso orçamento está bem melhor agora com as contribuições. Ainda estou conversando com empresas para o patrocínio da série e parcerias para aumentar ainda mais a nossa verba, para que possamos produzir algo especial para o público brasileiro, que merece programação GLBT de qualidade. Contamos com um elenco muito talentoso e estamos planejando participações especiais incríveis", disse André ao Mix.

Ainda de acordo com o diretor, as negociações com canais de TV abertos e pagos para uma possível veiculação mais ampla seguem em frente, mas não são seu foco de preocupação. "O futuro da televisão é a internet. E só porque um programa passa na TV não quer dizer que é de qualidade", afirma.

"caRIOcas" tem como personagens centrais um jogador de futebol que não se assume por medo de perder patrocínio, um jovem expulso de casa por ser gay e um rapaz assumidérrimo recém chegado do interior. Todos se encontram e interagem no fervido Rio de Janeiro. Os atores Marcello Melo Jr., o Benê da novela "Viver a Vida"; e Sérgio Menezes, que vive Diogo em "Bela, A Feia", estão no projeto.

Fonte: Mix Brasil

Militar de elite do Reino Unido casa-se com namorado

Militar gay membro da prestigiada Household Cavalry britânica casa-se com aprovação dos superiores

Reprodução

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Lance Wharton: casamento gay numa boa

Enquanto nações como Brasil e Estados Unidos discutem a aceitação de gays assumidos nas Forças Armadas, o Reino Unido dá uma aula de respeito aos direitos dos homossexuais. Um membro da unidade militar de elite do país casou-se recentemente com seu namorado, contando com felicitações por parte de seus superiores.

Lance Corporal James Wharton, 23 anos, faz parte da Household Cavalry, grupo das Forças Armadas britânicas que tem o objetivo de oferecer segurança a líderes de Estado em visita ao país e a oficiais de alta patente. Para você ter uma ideia do quanto o grupo é prestigiado, os príncipes Harry e William fazem parte dele.

De acordo com o "Daily Post", a cerimônia de casamento entre Lance e Thom McCaffrey, 21 anos, contou com a presença de colegas de farda do militar. "Quando pedi ao líder do esquadrão, major Nana Twumasi-Ankrah, a permissão para me casar, ele apenas disse: 'Isso é fantástico! Parabéns!'".

Ainda segundo Lance, todos os homens de seu regimento ficaram entusiasmados com a notícia. "Eles brincaram dizendo que seria o evento gay do ano. Meu casamento foi o assunto na caserna", conta o noivo.
O Reino Unido prevê os mesmos direitos garantidos aos héteros.

Fonte: Mix Brasil

Assumido: Ricky Martin é gay!

Ricky_Martin-Life-Frontal

Ricky Martin: fora do armário

O cantor Ricky Martin assumiu publicamente sua homossexualidade. Ricky, de 38 anos, que é porto-riquenho e foi revelado nos anos 80 com o grupo Menudo, saiu do armário no seu blog:

"Tenho orgulho de dizer que sou um felizardo homem homossexual. Sou muito abençoado em ser o que sou", escreveu ele.

"Esses anos em silêncio e reflexão me fizeram mais forte e me lembrara que aceitação vem de dentro e que esse tipo de verdade me dá o poder de conquistar emoções que eu nem sabia que existiam", continuou ele.

"Alguns meses atrás eu decidi escrever minhas memórias, um projeto que eu sabia que me trari mais perto de uma grande virada em minha vida. Do momento em que escrevi minha primeira frase eu tive certeza que o livro era a ferramenta que iria me ajudar a me libertar de coisas que eu carregava comigo por muito tempo. Coisas que eram muito pesadas para mim. Escrevendo esse lado da minha vida, eu fiquei muito perto da verdade. E isso é algo digno de ser celebrado", continou o cantor.

Martin Luther King

Segundo ele, muitas pessoas o desencorajaram a sair do armário. "Muita gente me disse que não era importante fazer isso, que não valia a pena, que todo o meu trabalho e tudo o que eu conquistei iria ruir. Que muitos nesse mundo não estariam preparados para aceitar a minha verdade, a minha natureza. E como esses conselhos vinham de gente que amo com loucura, decidi seguir adiante em minha 'quase verdade'. MUITO RUIM. Deixar-me seduzir pelo medo foi uma verdadeira sabotagem a minha vida. Hoje me responsabilizo por completo por todas minhas decisões e minhas ações".

Ricky Martin ainda citou em seu Twitter Martin Luther King, ativista americano que lutou pelos direitos dos negros: "Nossas vidas começam a morrer no dia em que calamos coisas que são verdadeiramente importantes".

Comentários de João Marinho:

Fui verificar se a notícia é verdadeira. Tudo indica que sim

- No site oficial dele, http://www.rickymartin.com, consta seu endereço de Twitter.

- No Twitter dele, http://twitter.com/ricky_martin, consta que a conta é "verified", ou seja, que o Twitter investigou e atesta a identidade.

- Em sua conta de Twitter, e tb no site oficial, existe um link para o blog (http://bit.ly/rmlife), onde consta a declaração em inglês e espanhol.

domingo, março 28, 2010

GAYS, NÃO HÁ RESPOSTAS FÁCEIS; UMA RESPOSTA CRISTÃ

Atos 8:26-40
Por C. David Hess

Os batistas americanos e outras denominações históricas estão profundamente divididas sobre a questão sobre qual o posicionamento adequado da igreja a respeito de gays em nosso meio. Creio que é importante compartilhar com vocês minhas reflexões interinas sobre este assunto.

A primeira coisa que quero dizer, e a mais importante, é que devemos esquecer soluções simples. Elas não existem. Nós estamos iludindo-nos a nós mesmos se pensamos que elas existem. Com certeza não há respostas simples sobre como ou por que uma pessoa se torna homossexual. O debate prossegue sobre se ele é causado por fatores genéticos ou do ambiente. As duas opções não se excluem mutualmente. Há evidência que há uma relação genética com a homossexualidade (estudos sobre gêmeos), mas os mesmos estudos indicam que fatores genéticos por si só não são suficientes para tornar uma pessoa homossexual. Alguns teorizam que a homossexualidade é uma heterofobia profundamente enraizada (este é, em essência, o ponto de vista freudiano). Talvez seja para alguns. Mas nosso conhecimento não é suficiente para criarmos qualquer teoria satisfatória sobre por que uma pessoa se torna homossexual.

Os psiquiatras estão de acordo que um indivíduo não escolhe sua orientação sexual. Porém, os seres humanos são criaturas flexíveis, e há evidência que a orientação sexual e o comportamento de alguns pode ser modificado. Mas, em geral, é o consenso entre psiquiatras que a maioria das pessoas não conseguem alterar sua orientação sexual. Nós na igreja deveríamos ter isto em mente quando lutamos com o assunto. Não devemos estar ávidos em oferecer soluções simples. Se há algo que gays sabem, é que não há respostas simples. Se quisermos manter alguma credibilidade com eles, não deveríamos oferecer nenhuma. Infelizmente o fazemos, repetidamente. As respostas que oferecemos diferem uma da outra, mas em geral padecem do mesmo defeito: são muito simples.

Antes de continuar, deixe-me dizer algo sobre o espírito do debate, particularmente nosso debate na igreja. Ele em geral tem sido por demais hostil. Cristãos têm proferido os termos “homossexual” e “homofóbico” com a mesma bile. Isto não deveria ser assim. Vamos concordar logo de início que, quaisquer que sejam nossas opiniões, todos somos pecadores, mas somos pecadores buscando a coisa certa a fazer.

A resposta “conservadora” que a igreja tem dado é mais ou menos a seguinte: A Bíblia claramente ensina que o homossexualismo é pecado. Portanto, gays têm de se arrepender (mudar) e buscar perdão. Mesmo se eles não têm o poder de mudar sua orientação sexual, Deus tem. Se tão somente os gays chegarem a Deus em arrependimento e fé, Deus tem o poder de mudá-los.

Há muito que se elogiar neste ponto de vista. Aqueles que o mantêm o fazem porque mantêm uma visão elevada da autoridade bíblica e do poder transformador de Deus. Porém, creio que no final este enfoque falha. Ele é muito simplista. Obviamente Deus tem o poder de alterar a orientação sexual de um indivíduo. Deus tem o poder de curar diabete, também, mas usualmente ele não o faz. A única alternativa “moral” que sobra para a pessoa gay é viver uma vida celibatária completa. Alguns homossexuais e heterossexuais o conseguem (sou uma prova viva disto), mas a maioria não. Você conseguiria?

A resposta cristã “progressista” vai mais ou menos nesta linha: Nós não deveríamos tomar o que a Bíblia fala sobre a homossexualidade como ponto fechado. Apesar de a Bíblia sempre falar de atos homossexuais sob uma ótica muito negativa, ela na verdade fala muito pouco sobre a homossexualidade. Certamente os autores bíblicos não sabiam tanto sobre a constituição da homossexualidade como nós sabemos. E deve-se notar que Jesus não menciona o assunto de forma alguma. Quando Pedro recebeu a visão do lençol de animais imundos descendo do céu, ele ouviu a voz de Deus lhe falando para “levantar-se, matar e comer”. Pedro objetou. Sua Bíblia (o antigo testamento) lhe dizia que isto era pecaminoso. Mas a voz do céu disse: “Não considere impuro nada daquilo que Deus declara puro.” Pedro tomou esta visão como a autorização divina para levar o evangelho aos gentios “impuros”. A visão forçou-o à conclusão de que o que sua Bíblia lhe dizia não era necessariamente assim. Talvez devêssemos reexaminar a homossexualidade à luz disto. Não somos criados por Deus? Quer sejamos gays ou hetero, o somos porque Deus nos fez desta forma. Devemos aceitá?lo e nos alegrar nos dons que Deus nos deu. Nossa orientação sexual, em última instância, não tem maior significado moral que a nossa cor da pele, ou em sermos destros ou canhotos.

Este ponto de vista tem muito a ser elogiado. Ele é compassivo. Ele demonstra com razão que não devemos ser superficiais no uso das escrituras. (Eu notaria que mesmo o mais ardoroso pregador fundamentalista não é literalista neste assunto. Não ouvi de nenhum deles que os gays deveriam ser apedrejados até a morte.) Os argumentos “progressistas” sobre interpretação da Bíblia têm peso. No final, porém, creio que esta visão também é muito simplista e também não funciona na realidade.

Creio que ela falha primeiro na área em que mais quer sucesso. Ela carece de sensibilidade pastoral. Dizer a uma pessoa gay que “Deus o fez deste modo” com freqüência encontrará a resposta (interior, se não verbal): “Que tipo de brincalhão cruel é este Deus?” A verdade é que muitos gays prefeririam ser diferentes. Alguns pagam até milhares de dólares para psicólogos e passam anos em terapia tentando alterar sua orientação sexual, somente para descobrir que não o conseguem.

Alguns terapeutas cristãos “progressistas” se esforçam em convencer seus clientes gays de que deveriam aceitar sua homossexualidade como um dom de Deus. Isto em geral é um negócio difícil. A pessoa não consegue escapar facilmente do intenso sentimento íntimo de que a vida, ou o destino, ou Deus, ou alguém está fazendo uma brincadeira de mal gosto com ela. Nós estamos trabalhando contra o ponto desejado tentando convencer a pessoa gay do contrário. Creio que não estamos considerando seriamente sua dor ou sua situação. Estamos tentando tornar as coisas simples demais. Estamos clamando “Paz, paz” onde não há paz.

Também não encontro garantia ou fundamento algum em dizer que ser gay é um dom de Deus. Certamente não há base bíblica para isto. Parece que se baseia somente na pressuposição a priori de que tudo o que somos é o que Deus nos fez. Bebês nascem cegos porque Deus quis que eles fossem assim? A orientação sexual de todos é um dom de Deus? O que dizer sobre pedófilos? (Por favor, não me entenda mal. Não estou de modo algum sugerindo uma equivalência moral entre homossexuais e pedófilos.) Pedófilos também não escolhem sua orientação sexual, nem pode ela ser alterada facilmente. Devemos dizer a eles: “Deus o fez pedófilo. Alegre-se e esteja satisfeito com isto!”

A verdade é que todos nós, heteros e gays, sabemos fundamentalmente que a razão natural do sexo, embora não a única, é a reprodução biológica. Não há modo de desviar-se disto. O homossexual sabe que, à vista deste fato mais básico, sua sexualidade é distorcida, e ele ou ela padece com isto. Eles sofrem em saber que nunca conhecerão o amor completamente complementar de uma pessoa do sexo oposto. Eles lamentam que nunca poderão ter filhos. Deveríamos sofrer com eles.

A resposta cristã “moderada” é mais ou menos assim: Não cremos que Deus jamais intencionou que qualquer um de seu povo fosse homossexual. Cremos que as pessoas são gays não porque optaram por sê-lo, mas porque toda a natureza é caída. Reconhecemos que Deus nem sempre remove o espinho de nossa carne ou psique, não importa o quão ardorosamente oramos para ele fazê-lo (embora às vezes ele talvez o faça). Embora o espinho seja um “mensageiro de Satanás”, nós, como Paulo, podemos finalmente ser gratos porque ele nos ensina a depender mais da graça de Deus. Nosso conselho prático para os gays cristãos é mudar sua orientação se for possível. Se não, seja celibatário se possível. Se não, seja tão moral (i.e, monogâmico) quanto for possível.

Muitos rejeitarão esta visão “moderada” porque ela é um caminho de tensão. Preferirão antes ser “conservadores” ou “progressistas”. Estas posições lidaram com a tensão, negando-a. Mas há muito que recomenda a visão “moderada”. Pessoalmente, me sinto bastante confortável com ela. Ela leva tanto as escrituras como a situação e a dor da pessoa gay a sério. Reconhece a dificuldade de a pessoa alterar sua orientação sexual. Também reconhece a dificuldade de viver uma vida celibatária.

Porém, esta visão soa melhor do que funciona na prática. Ela encoraja uma pessoa gay a ter uma relação gay monogâmica, se necessario; porém não reconhece a dificuldade em fazer assim. Caso você não tenha notado, parece que os heterossexuais têm tido um tempo difícil para viverem em relações monogâmicas também. Isto é o caso mesmo com todos os sistemas eclesiásticos e civis de suporte da instituição do casamento heterossexual. Pense como deve ser difícil para uma pessoa gay viver uma vida puramente monogâmica sem a bênção ou qualquer apoio da igreja e da sociedade.

Todas as respostas da igreja são simples demais. Até todos nós reconhecermos isto, nunca estaremos numa posição de realmente ministrar ao homossexual. Dado isto, o que deve a igreja fazer?

Um sermão de William Willimon fez uma passagem do livro de Atos se tornar viva para mim. Nem o sermão de Willimon nem a passagem bíblica menciona homossexualidade, mas não consigo ler a passagem sem pensar sobre o assunto. A história é sobre o eunuco etíope. Para ser exato, um eunuco, um homem que foi castrado, e um homossexual não são a mesma coisa, mas há similaridades. Nenhum dos dois pode funcionar plenamente como heterossexual. Nenhum escolheu sua “orientação”.

Este eunuco, um alto oficial etíope, está rodando pela estrada em sua carruagem, lendo o profeta Isaías. Por quê? Por que ele está lendo a Bíblia? Um eunuco não era nem permitido de entrar no templo em Jerusalém. O antigo testamento declara em Deuteronômio 23:1: “Nenhum homem que tenha sido castrado poderé ser incluído no povo do Senhor.”’

Você pode imaginar como é isto? Ser excluído do povo de Deus? Ser proibido mesmo de entrar na igreja?

A passagem que o eunuco está lendo diz: “Ele foi levado como um cordeiro para o matadouro; como uma ovelha ... Quem declarará sua posteridade?”

Que posteridade? Este homem foi “cortado fora”. Ele não terá posteridade, nenhum descendente. Ele é como o eunuco. Não terá filhos, nem família.
O eunuco pergunta a Filipe, a quem Deus havia enviado para encontrar sua carruagem: “Quem é este homem de quem o profeta fala?”

Ele quer saber desesperadamente. Estou certo que ele também conhecia a passagem em Isaías que diz: “Os dias virão em que o estrangeiro não mais dirá: ‘O Senhor me separará de seu povo’. Os dias virão em que o eunuco não mais dirá: ‘Sou apenas um galho seco’. Os dias virão em que o eunuco que me ama e à minha casa e à minha aliança estará melhor que mil filhos e filhas, e será lembrado para sempre.”

Poderia ser que o homem de quem o profeta fala seria aquele que traria este novo dia quando mesmo um eunuco poderia ser parte da família de Deus?

Depois de ouvir Filipe contar a história sobre Jesus, o eunuco pergunta-lhe: “Posso ser batizado? Posso ser parte desta nova família de Deus?”

Filipe responde “sim”. (Sem dúvida, ele estava pensando: “Vou ter problemas por causa disto.” Ele já tinha tido problemas com alguns na igreja por batizar alguns samaritanos.)

Como disse antes, esta passagem não menciona gays, mas podemos realmente dizer que não tem nenhuma aplicação para eles?

Quando eu pastoreava uma igreja em New Jersey, eu tinha o costume de visitar todas as pessoas novas que mudavam para a vizinhança da igreja para desejar-lhes as boas-vindas à comunidade e para convidá-los a cultuar conosco. Um dia, ouvi que dois homens haviam mudado para uma casa próxima à igreja. Circulava o boato de que eles eram gays. E se eles fossem mesmo? Deveria convidá-los à igreja? E se eles viessem? Seriam benvindos? E se eles desejassem se tornar membros? O que faríamos? Decidi não os visitar.

Veio à minha mente que eles poderiam vir à igreja por iniciativa própria, e que assim todos os eventos que imaginei realmente ocorressem. O que eu faria? O que a igreja faria? Obviamente, a igreja deveria decidir por si própria. Eu decidi que falaria com eles do modo mais pastoralmente sensível possível. Provavelmente falaria com eles sobre minhas lutas com a questão da homossexualidade do mesmo modo que estou fazendo aqui. O ponto meu e da igreja seria: Nem eu nem a igreja podemos aprovar incondicionalmente o modo de vida de vocês, mas vocês são bem-vindos.

Não sei se eu estaria certo ou não, mas não sei nenhuma outra opção mais correta. Talvez depois de eles se tornarem parte de nossa comunidade, poderíamos dar-lhes apoio para serem tão morais quanto eles conseguissem, fosse o que fosse isto.

O amor gay é distorcido e pervertido?

Sim, mas todo amor humano é até certo ponto distorcido e pervertido. Isto vem do fato de que todos somos pecadores. Só que nosso amor é pervertido e distorcido de formas diferentes. Amor gay também pode trazer satisfação e admiração. Como alguém pode negar isto após ver um homem gay cuidar com compaixão de seu companheiro morrendo de AIDS? Deveriam os homossexuais ter todos os direitos civis e proteções que as outras pessoas? Sim, definitivamente. Também diria que, por causa daqueles cuja orientação sexual ainda está em formação, a sociedade precisa expressar de alguma forma sua clara preferência pela heterossexualidade, sem negar a dignidade de ninguém. Não quero parecer que creio que isto seja fácil.

A igreja pode tratar deste assunto em uma forma que é compassiva e fiel ao ensino bíblico que a sexualidade deveria ser plenamente expressa apenas numa relação monogâmica heterossexual por toda a vida? Sim. A igreja já mostrou que isto é possível na maneira que aprendemos a lidar com divórcio e novo casamento.

Não muito tempo atrás a igreja ensinava a seus membros que eles nunca deveriam se divorciar. Caso se divorciassem, não deveriam casar enquanto seu ex-cônjuge continuasse vivo. Fazê-lo seria viver em uma espécie de adultério legal. A igreja cria que esta era a posição bíblica mais clara. A igreja, como Jesus no evangelho de Mateus (mas não em Marcos ou Lucas) admitia uma exceção no caso de infidelidade conjugal. Nós nos distanciamos disto consideravelmente.

Reconhecemos as complexidades que levam à separação de nós, pecadores heterossexuais. A igreja finalmente decidiu que a compaixão não permite requerer de cristãos divorciados que vivam uma vida de celibato forçado, frustração sexual e solidão. A igreja decidiu que, mesmo não aprovando incondicionalmente o divórcio, podia e iria receber pessoas divorciadas e recasadas na vida da comunidade.

Em última instância, a palavra que a igreja tem de dar a gays ou a quaisquer outros não é “Eu estou OK, e você não está OK.” Nem tampouco é “eu estou OK, e você está OK.” Nossa mensagem é, em última instância, “eu não estou OK, e você não está OK. Mas isto é OK.”

No fundo, a igreja não tem respostas simples para gays ou para quaisquer outras pessoas. A única coisa que ela tem a oferecer é a única que ela realmente tem, Cristo crucificado, o cordeiro que foi morto. A cruz também não é uma resposta simples, nem mesmo para o filho de Deus. Ele está lá na cruz para todos, sentindo suas dores ao carregar seus pecados. Sua palavra a todos é: “Eu perdôo. Faça o melhor possível em sua luta com o pecado, e confie em minha graça para o resto.”

Para os gays, eu digo: Não há respostas simples e fáceis para vocês. Obviamente vocês já sabem disto. Você podem optar por viver no armário, sempre com medo de ser descoberto. Você pode optar por sair do armário e ser ostracizado, total ou parcialmente, por sua família, seus amigos, sua igreja, seu empregador. Sair do armário pode significar sua expulsão do resto da sociedade para um gueto gay.

Vocês são as pessoas mais ostracizadas na nossa sociedade. Negros podem ser discriminados na escolha de moradia e emprego, mas pelo menos podem contar com o apoio de família, amigos e igreja. Vocês não podem. Vocês não têm escolhas simples. A igreja também não tem respostas simples para vocês, mas sofremos com vocês.

Jesus convida você para vir ao pé da cruz. A cruz é para onde você pode vir quando tiver esgotado todas as respostas simples. (De fato, existe alguém que vem à cruz em qualquer outro momento?) Cristo está na cruz para você. Ele não o mandará embora. Isto é o que Jesus fará com você. Não sei o que o resto de nós reunidos aqui no Calvário fará com você. Realmente não. Mas eu espero que nós escolhamos receber você.

NOTA:

Embora discorde pontualmente do texto não posso deixar de ver como um avanço no diálogo entre igrejas evangélicas e comunidade LGBT.

sexta-feira, março 26, 2010

Casamento gay e revolução

Pode parecer estranho, mas casamento gay, por vezes, é um assunto polêmico até mesmo entre... Gays.

por João Marinho

Os motivos, claro, são diferentes daqueles homofóbicos: nada a ver com a história de “casamento é entre um homem e uma mulher” – argumento que nem encontra pleno apoio na história humana –, ou com a “impossibilidade” de gerar família, como se família fosse definida tão-somente por descendência e laços genéticos: a adoção está aí para provar que não é assim, bem como os casamentos de heterossexuais que não podem, ou optam por não ter filhos.

Subversão

O que polemiza o assunto entre os gays, principalmente, é a suposta perda do aspecto questionador da homossexualidade.

Por estar historicamente excluída do modelo “papai-mamãe-filhinhos” (a família nuclear), a homossexualidade guardaria um quê de subversiva. Ser gay é mostrar que outros modelos são possíveis e que o nuclear guarda boa dose de hipocrisia.

Os militantes gays brasileiros mais antigos, especialmente os influenciados pelo pensamento de esquerda, assim consideravam. Por isso, para muitos deles, o casamento era, e é, uma instituição falida.

Esse argumento ainda ecoa, e é uma das principais restrições gays ao casamento gay. Por que o movimento LGBT cerra fileiras na aprovação de leis que nos garantam acesso a uma instituição desacreditada e esgotada até para os héteros?

Decadência com elegância

Bom, penso que existe uma supervalorização inadequada da ideia de “decadência do casamento”. Não vejo as taxas de casamento diminuindo significativamente – e a instituição ainda é uma das mais interessantes ferramentas de consecução de direitos. Mesmo com o inegável crescimento do divórcio, não se pode negar que muitos divorciados casam-se novamente. A “decadência do casamento” parece mais um desejo do que uma realidade dada.

O que considero que pode estar em crise é, isso, sim, o modelo da família nuclear e talvez da monogamia estrita que embasa a noção ocidental de casamento – mas modelo nuclear, monogamia e casamento não são sinônimos. Exemplo são os casamentos poligâmicos que existiram e ainda existem em outras sociedades. O casamento é anterior à família nuclear.

Por isso, entendo que a tendência é que o modelo de família e relacionamento se flexione, mas que a instituição casamento permaneça. É o que vemos hoje no Brasil: famílias chefiadas por mulheres, por casais gays, com filhos adotados, com filhos de diferentes casamentos, formadas por não-filhos...

A família nuclear está longe de ser o único modelo – mas as pessoas continuam se casando, e, por vezes, o casamento até entra como ingrediente na formação de uma família diferenciada – como é, justamente, o caso do casamento gay.

Viver a vida

Desse ponto de vista, o casamento gay deixa de ser algo que nasceu falido para ser uma evolução dos direitos civis, humanos, sociais, afetivos e até reprodutivos.

Ademais, existe um dado inegável: por mais críticas que tenhamos ao casamento-instituição, a verdade é que, antes do século XX, os gays nunca haviam desfrutado desse direito. No Brasil, nunca desfrutaram.

Isso faz diferença. Uma coisa é não fazer algo porque não se quer. Outra é não fazer porque não se pode. Parece-me mais justo permitir a nós, gays, vivermos a experiência coletiva do casamento, passarmos por nossa própria “crise da instituição”, tecermos nossas próprias críticas – que não serão necessariamente as mesmas dos heterossexuais – e, quem sabe, mudar-lhe todo o significado.

O casamento gay é uma coisa muito nova. Não sabemos “no que vai dar”. Negar-nos isso por meio da “decadência do casamento” é que é uma crítica reacionária e conservadora, pois parte da noção de que o casamento nuclear hétero e “falido” é o único modelo possível – além de cometer o erro de tentar prever o futuro.

Texto meu publicado na Sex Boys nº 70.

quarta-feira, março 24, 2010

O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade

por Daniel A. Helminiak *

– As pessoas discutem apaixonadamente acerca do que a Bíblia realmente ensina. Como é possível? Quem está com a razão?

-Depende de como se lê a Bíblia!

-Como é possível? São diferentes formas de se ler a Bíblia!

A forma pela qual se lê a Bíblia, o modo de interpretar os textos, eis aí a questão central. Não se trata de perguntar: “Quais são os textos da Bíblia sobre a homossexualidade?” Qualquer um pode fazer uma lista e citá-los. O que devemos nos perguntar é: “Como interpretar estes textos?” “Como determinar aquilo que estes textos realmente querem dizer?”

Há quem afirme que a Bíblia deva ser entendida literalmente, sem “interpretações”. Mas interpretar significa apenas extrair o sentido de um texto. Desta maneira, não pode haver leitura da Bíblia ou de qualquer outra obra sem interpretação. Sem o leitor, um texto é apenas um monte de palavras – sinais em uma página. Em si estes sinais não têm significado algum. Para significarem algo, eles precisam passar pela mente de alguém. A compreensão das palavras, que determina o sentido do texto, é interpretação.

É importante prestar atenção às diversas formas de se ler um texto, especialmente quando lidamos com textos antigos como a Bíblia. As palavras podem ter um determinado significado para nós hoje e, na época das pessoas que as escreveram, seu significado ter sido totalmente diferente.

Os ensinamentos de Jesus sobre a simplicidade
Tomemos um exemplo da Bíblia. Em três dos Evangelhos – Mateus 19:24, Marcos 10:25 e Lucas 18:25 – Jesus diz: “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus.” Parece que ninguém com muito dinheiro jamais poderá entrar no paraíso, posto que nenhum camelo jamais passará através do buraco de uma agulha. Pelo menos é isso o que a passagem nos indica.

Mas alguns estudiosos afirmam que em Jerusalém havia um portão muito baixo e estreito nas paredes da cidade. Quando uma caravana entrava por aquele portão, os camelos tinham de ser descarregados e passar pelo portão de joelhos, para serem novamente carregados do lado de dentro. Aquele portão chamava-se “o buraco da agulha”.

Logo, o que Jesus estava dizendo? Ao compreendermos melhor o mundo em que ele viveu, o significado de suas palavras passa a ser óbvio. Jesus dizia simplesmente que seria difícil para os ricos entrarem no paraíso. Primeiro eles teriam de se livrar de suas preocupações materiais. Novamente, Jesus estava pregando a mensagem sobre simplicidade, sinceridade e dedicação contida em seu Sermão da Montanha.

E se considerações desta mesma ordem se aplicarem também aos textos bíblicos sobre a homossexualidade? Talvez eles não signifiquem aquilo que temos pensado até agora.

A interpretação literal e a leitura histórico-crítica
A interpretação literal afirma entender o texto unicamente conforme o que ele diz. Esta é a bordagem fundamentalista. Ela afirma não interpretar o texto, mas simplesmente lê-lo como ele é. Entretanto, é claro que até mesmo o fundamentalismo segue uma regra de interpretação. Esta regra, simples e fácil, diz que a significação do texto é dada no presente por quem o lê.

Façamos a comparação com a outra abordagem, a da leitura histórico-crítica. A regra aqui diz que a significação do texto é dada por aquele que o escreveu no passado. Para afirmar qual é o ensinamento dado pelo texto bíblico hoje, primeiro é preciso compreendê-lo em sua situação original e então transportar seu significado para o presente. Um bom exemplo disso é o ensinamento de Jesus, na abordagem realista, utilizando a figura do camelo e da agulha.

Apesar de ouvirmos com mais frequência no rádio e na TV apenas a abordagem fundamentalista, todas as principais igrejas cristãs apóiam o método histórico-crítico. Portanto, o argumento apresentado aqui não é novidade: ao contrário, ele é absolutamente padronizado, sendo sustentado por quase dois séculos de estudos. De fato, ele já existia antes mesmo do fundamentalismo, que surgiu em parte como uma oposição a ele.

É evidente que algumas igrejas rejeitam o método histórico-crítico quando tratam dos textos bíblicos sobre a homossexualidade e algumas outra questões, tais como o divórcio, a posição da mulher na sociedade e na igreja, a compreensão que Jesus tinha dele mesmo, a organização da igreja primitiva, ou a origem de rituais cristãos como o batismo e a eucaristia. As igrejas têm receio das conclusões sugeridas pelos próprios métodos de interpretação que elas aprovam.

O estudo histórico-crítico da Bíblia geralmente coloca por terra algumas interpretações tradicionais e levanta questões muito sérias sobre a religião e a sociedade. Não é de surpreender que as igrejas hesitem em usá-lo. Em certos casos, elas ficam a se perguntar o que devem ensinar. Também não é de surpreender que o fundamentalismo tenha adotado uma linha mais dura. Os novos dados históricos podem fazer com que a compreensão tradicional da religião se dissolva ante nossos próprios olhos. É importante avaliarmos quão delicada é esta questão da interpretação da Bíblia.

Mas também é importante não ignorarmos fatos tais como eles agora são conhecidos. Fazê-lo seria violar um dos valores básicos da tradição judaico-cristã. Fazê-lo seria ignorar um valor pelo qual Jesus viveu e morreu – conforme João 8:32, Jesus diz: “A verdade vos livrará”.

Desvantagens da abordagem literal
Um dos problemas da abordagem literal é a utilização seletiva da Bíblia. Isto é, esta abordagem tende a enfatizar um texto e relegar outro. Os pregadores condenam as lésbicas e gays porque a Bíblia menciona de passagem atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo.

No entanto, esses mesmo pregadores não advogam a escravidão, embora a epístola a Filemon inteira, e muitas outras passagens extensas, a defendam (Efésios 6:5-9; Colossenses 3:22-4:1; 1 Timóteo 6:1-2; 1 Pedro 2:18). Eles não encorajam as pessoas a furar-lhes os olhos ou a cortar-lhes as mãos, embora as palavras literais de Jesus sugiram este remédio para a tentação (Mateus 5:22-30). Estes pregadores geralmente admitem o divórcio, embora os ensinamentos de Jesus, tomados literalmente, o condenem (Mateus 5-32; Marcos 10:1-2; Lucas 16:18). Eles permitem que mulheres ensinem nas escolas dominicais, embora 1 Timóteo 2:11-14 o proíba de maneira clara. Eles permitem que as mulheres frequentem a igreja usando roupas claras e jóias de ouro e pérolas, ou mesmo sem chapéus, embora longas passagens se oponham a isto (1 Timóteo 2:9-10; 1 Coríntios 11:1-16). A abordagem literal é praticamente forçada a ser seletiva em sua aplicação dos ensinamentos da Bíblia, para evitar algumas situações inaceitáveis.

O que há na Bíblia sobre homossexualidade?
O estudo científico da sexualidade teve início a cerca de um século. Hoje sabemos que a homossexualidade é um dos aspectos básicos da personalidade, provavelmente fixado na primeira infância, tem base biológica e afeta uma parcela significativa da população em praticamente todas as culturas conhecidas. Não há evidências convincentes de que a orientação sexual possa ser mudada, e não há prova sequer de que a homossexualidade seja um fenômeno patológico em qualquer das suas formas. Desde a Segunda Guerra Mundial, uma comunidade gay vem se formando e ganhando voz em âmbito mundial. Dentro desta comunidade, e especialmente entre os gays e lésbicas que são religiosos, relacionamentos homossexuais amorosos e adultos têm se tornado uma preocupação importante.

Tudo isso é recente. Alguns destes fatos são absolutamente novos para a história da humanidade. Eles fazem parte de uma situação nunca imaginada pelos autores bíblicos, portanto não devemos esperar que a Bíblia expresse uma opinião sobre eles. O que pode ser esperado é o seguinte: quando a Bíblia menciona comportamentos sexuais entre pessoas do mesmo sexo, ela o faz tal como estes comportamentos eram compreendidos naquela época. Os ensinamentos da Bíblia só podem ser aplicados hoje na medida em que a antiga compreensão destes mesmos comportamentos for válida.

Mais especificamente, na época bíblica não havia uma compreensão muito elaborada da homossexualidade como orientação sexual. Havia apenas uma consciência genérica de atos ou contatos entre pessoas do mesmo sexo, o que poderia ser chamado de homogenitalidade ou atos homogenitais. A questão atualmente gira em torno das pessoas e seus relacionamentos, e não simplesmente de seus atos sexuais. O que se discute hoje é a homossexualidade, e não mais a mera homogenitalidade, e o afeto espontâneo por pessoas do mesmo sexo e a possibilidade ética de expressar este afeto em relacionamentos sexuais e amorosos. Como esta não era uma questão que os autores bíblicos tinham em mente, não podemos esperar que a Bíblia nos dê uma resposta.

Por que não? Se a Bíblia condena um determinado ato por qualquer que seja o motivo, este ano não deveria ser evitado sem mais discussões? Se a palavra de Deus diz que ele é errado, o assunto não se encerra aí?

Uma atitude é julgada errada por algum motivo. Se o motivo não mais existe e nenhum outro é fornecido, como esta atitude pode continuar sendo considerada errada? A simples afirmação de que “Deus disse que isto é errado” não é uma resposta boa o suficiente, pois o princípio é válido mesmo em se tratando de Deus: também Deus deve fornecer o motivo pelo qual algo é errado. Isto significa dizer que há bom-senso, que há sabedoria na moralidade exigida por Deus. Se não houver, então toda moralidade será arbitrária e Deus considerará as coisas como certas ou erradas segundo um capricho divino. Neste caso, toda a reflexão sobre a ética deixaria de existir, pois não haveria um princípio racional por trás da moralidade e as exigências Deus não seriam razoáveis. Tal conclusão, porém, é um absurdo. É completamente ridícula. Logo, é preciso que haja um motivo pelo qual algo seja considerado errado, e deve ser por este mesmo motivo que Deus o proíba.

Bem, mas Deus não poderia ter razões que escapem à nossa compreensão? Claro que sim. Mas se fosse este o caso, nunca poderíamos conhecer a vontade de Deus – a menos que Deus a revelasse. E onde Deus a revelaria? Uma resposta óbvia é: “Na Bíblia, claro!”

Esta resposta é perfeitamente válida. Mas ela nos traz de volta exatamente ao ponto de partida: como podemos determinar o que Deus quis dizer na Bíblia? As opções ainda são as mesmas: as abordagens literal e histórico-crítica.

Defendo a abordagem histórico-crítica da Bíblia. Espera-se que Deus afirme que algo é errado por um determinado motivo. O Criador teceu este motivo na estrutura do universo. A inteligência humana é capaz de discernir este motivo. Por conseguinte, quando não há nenhuma nova razão para que algo seja considerado errado e o motivo antigo não mais se aplica, não há base para se afirmar que aquilo seja errado. O motivo – o próprio motivo de Deus! – simplesmente não mais existe.

A palavra de Deus na Bíblia condena aquilo que hoje conhecemos por homossexualidade? Considere todas as passagens bíblicas que se referem a este tema. Compreenda-as em seu contexto histórico original. Avalie as provas com uma mentalidade aberta e honesta.

O pecado de Sodoma: a falta de hospitalidade
A história de Sodoma é provavelmente a mais famosa passagem bíblica que trata da homossexualidade, ou pelo menos é considerada como tal. Ela está no livro do Gênesis, capítulo 19, versículos de 1 a 11.

Nela, por que Lot desejaria expor suas filhas ao estupro? Por que Lot se oporia ao interrogatório e abuso de seus visitantes por parte dos habitantes da cidade? Lot era apenas um homem, ou, conforme as Escrituras, um homem de bem. Ele fez o que era certo e da melhor forma possível. Entre todas as pessoas de Sodoma, apenas ele teve a delicadeza de convidar os visitantes para passar a noite em sua casa.

Nas regiões desérticas como a de Sodoma, permanecer ao relento exposto ao frio da noite podia ser fatal. Logo, uma regra básica da sociedade de Lot era oferecer hospitalidade aos viajantes. Essa mesma regra faz parte da tradição das culturas semitas e árabes. Esta regra é tão estrita que proibia o ataque até mesmo a inimigos que tivessem recebido oferta de abrigo para passar a noite. Assim, fazendo o que era certo, seguindo as leis de Deus conforme ele a entendia, Lot recusou-se a expor seus convidados ao abuso pelo homens de Sodoma. Fazê-lo significaria violar a lei da sagrada hospitalidade.

Até mesmo Jesus entendia o pecado de Sodoma como o da falta de hospitalidade (Mateus 10:5-15). Outras passagens da Bíblia afirmam a mesma coisa de maneira bastante clara. Há outras referências bíblicas menos diretas a Sodoma: Isaías 1:10-17 e 3:9, Jeremias 23:14 e Sofonias 2:8-11. Os pecados listados nestas citações são a injustiça, a opressão, a parcialidade, o adultério, as mentiras e o encorajamento dos pecadores. Ainda assim, as pessoas continuam a citar a história de Sodoma para condenar aqueles que são gays e lésbicas.

Há uma triste ironia acerca da história de Sodoma quando compreendida à luz de seu próprio contexto histórico. As pessoas atacam homens e mulheres homossexuais porque eles são diferentes, esquisitos, estranhos. Lésbicas e gays não se encaixam em nossa sociedade, fazendo-se com que eles permaneçam estranhos, estrangeiros. São deserdados por suas próprias famílias, separados de seus filhos, despedidos de seus empregos, despejados de imóveis e expulsos de bairros, insultados por personalidades públicas, espancados e assassinados nas ruas. Tudo isto é feito em nome da religião e da suposta moralidade judaico-cristã.

Esta opressão é o próprio pecado do qual o povo de Sodoma foi culpado. É exatamente este o comportamento que a Bíblia condena repetidas vezes. Portanto, aqueles que oprimem os homossexuais devido ao suposto “pecado de Sodoma” podem ser eles próprios os verdadeiros “sodomitas” tal como a Bíblia os entende.

* Daniel A. Helminiak. Ph.D. em teologia sistemática pelo Boston College e em psicologia educacional pela Universidade do Texas, atualmente leciona no estado da Geórgia. Este post contém trechos dos capítulos 2 e 3 do seu livro O que a Bíblia realmente diz sobre a homossexualidade (Summus/Edições GLS, 1998)

segunda-feira, março 22, 2010

A bênção de ser um derrotado

Nova Friburgo, 17 de março de 2010

Ninguém gosta de perder... A perda sempre gera momentos de dor, angústia, frustração, insegurança em relação ao futuro e quase nunca estamos preparados emocionalmente para perder, seja pela surpresa, pelo inesperado que nos atropela de repente ou por precisar abrir mão de algo importante. Numa sociedade viciada em ganhar, onde, desde muito pequenos, somos adestrados e incentivados a agir sempre competitivamente em todas as coisas, aprendemos que somente os fracos perdem.

Em tempos como os que vivemos, a derrota parece ser o não sucesso, o não se sobressair tanto no mercado de trabalho como na conquista de uma pessoa desejada, não alcançar algo que se quer ou perder para alguém mais forte, aparentemente melhor preparado que a gente.

Não é tão incomum, e aliás está se tornando uma doença crônica que vai se alastrando incontrolavelmente, ouvir até mesmo os ambientes religiosos reproduzindo o velho discurso a favor da "vitória" a qualquer custo. Mesmo que para isto seja preciso abrir mão do bom senso, do Evangelho puro e simples ensinado por Jesus, não como um meio de ganhar tudo o que se quer ou se deseja, mas, mesmo na aparente derrota, encontrar o caminho da consciência pacificada de que todas as coisas cooperam sempre para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo um propósito infinitamente maior do que perder ou ganhar. Até mesmo a perda ou o não ser atendido na petição que fazemos se torna motivo de glória e livramento incontáveis vezes. Na perspectiva do Reino nem sempre os "vitoriosos", os "fortes" ou aqueles que chegam em "primeiro lugar" cheios de "honras" herdarão a terra.

Tenho visto uma geração inteira dentro dos templos/mercados pagando, e pagando muito caro, alguns dão o que não podem para tentar se tornar "vitoriosos" segundo as suas próprias perspectivas viciadas e distorcidas. Dão ofertas/oferendas generosas, fazem pactos, propósitos, compram o favor das entidades ou das forças e elementos da natureza afim de se tornarem imbatíveis. Querem fechar o corpo, ganhar força e poderes sobrenaturais para jamais perderem. Como se fosse possível, tentam até mesmo comprar o "in-comprável", acham que Deus é um negociador que distribui bens, fortuna e sucesso em troca de moedas, sacrifício ou serviço abnegado. Eles até ganham alguma coisa, conquistam lugares, pessoas, situações e demandas, mas acabam perdendo o essencial da vida. "Ganham" sempre, mas ganham sem paz, sem alegria, sem sabor e sem verdade.

Precisamos entender que nossa limitada e frágil humanidade, nossa derrota diante das vitórias que provocam mais mal do que bem, na verdade, é uma bênção. É exatamente a capacidade de perder que nos faz crescer para a vida. A perda não é sinal de fraqueza, mas sim de força pois é neste momento que a consciência de que não somos indestrutíveis cresce ou que nossa aparente força nada é, que descobrimos o dom do quebrantamento. Por incrível que pareça, o poder de Deus em nossas vidas se aperfeiçoa mesmo é na fraqueza, no reconhecimento de que o controle de todas as coisas é somente Dele. Perder ou ganhar, neste sentido tanto faz, é só mais um aprendizado.

A arrogância dos "vencedores" e dos "poderosos" é, de fato, a anti-vitória. Quem ganha sempre forçado ou comprado, está acumulando para si próprio uma perda irrecuperável, a destruição dos valores fundamentais da vida, da segurança de passar pelo vale da sombra da morte sem temer mal algum porque a presença Daquele que habita o coração dos quebrantados e humildes o acompanha.

Não! Eu não quero ganhar sempre, decretado, comprado ou profetizado... Ganhando ou perdendo, vou seguir minha vida habitando com Aquele que me faz mais do que vencedor até mesmo nas derrotas que me sobrevém, sendo seguido pela bondade e pela misericórdia todos os dias da minha vida.

Eu não sei se amanhã eu vou ganhar ou perder, a única certeza que está viva e pulsante no meu coração, todos os dias, é que eu sei em Quem tenho crido e sei também que Ele é fiel e poderoso para me guardar até mesmo no dia da derrota, no dia mal.

O Deus que chamou para junto de si os fracos e sobrecarregados te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

Pablo Massolar

sexta-feira, março 19, 2010

Entre Homens dia 22/03

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TUDO QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER SOBRE MICHÊS...

... MAS TINHA VERGONHA DE PERGUNTAR

Michês, garotos de programa, acompanhantes, scort boys. Os nomes são muitos, mas o trabalho é um só: dar prazer sexual em troca de dinheiro.

Seria a prostituição uma profissão como qualquer outra?

O Espaço Entre Homens discute, no próximo dia 22/03/2010, o tema:

PROGRAMA LEGAL? A PROSTITUIÇÃO MASCULINA EM SAMPA

> Por que um garoto vira michê?

> A profissão é de "vida fácil"?

> O que buscam os clientes

> Os riscos de se contratar um scort

> Preconceito, homofobia e violência

> Histórias curiosas

> Saúde e sexualidade

> Locais de trabalho: ruas, cinemas, saunas...

e muito mais!

Venha tirar todas as suas dúvidas e debater, sem medo, sem segredos e sem vergonha!

QUANDO

Segunda-feira, 22/03/10, 19h00

ONDE

!cid_201003191349070898UpGrade Club
Rua Santa Isabel, 198 - São Paulo, SP, perto do Metrô República.
Travessa da Amaral Gurgel, uma depois da Marquês de Itu
Telefone: (11) 3337-2028. Mapa e mais sobre o clube: www.upgradeclub.com.br
* tocar a campainha para entrar | o bar estará aberto para os presentes

QUEM

Gays, bissexuais, travestis, transexuais, HSH, lésbicas, heterossexuais: todos e todas que contratam - ou não - os serviços de garotos de programa.

Sobre o Entre Homens

Gerenciado por Murilo Sarno, o Espaço Entre Homens visa a refletir, numa roda de conversa livre e espontânea, temas relacionados ao universo gay masculino.

Contato para a imprensa:

João Marinho - MTB 42048/SP

Tels.: +55 11 9775-8893, 3217-2640

jm@joaomarinho.jor.br

Fique de olho nas próximas reuniões!

05/04: inversão sexual;
19/04: sessão de cinema!
03/05: assumindo no trabalho.

Biologia e Homossexualidade

"Ser homossexual não é uma aberração"

A bióloga Marlene Zuk, que pesquisou a homossexualidade entre os animais, diz que classificar o comportamento de 'anormal' é uma precipitação. Presente em diversas espécies na natureza, ele pode ter vantagens evolutivas

 Divulgação

MARLENE ZUK
Pesquisadora diz que procurar o "gene gay" é simplificar a questão do comportamento sexual

Uma lei que vigorava desde 1861 e que foi derrubada na quinta-feira (2) pela Justiça de Nova Déli, a capital da Índia, previa multas e prisão de até dez anos para os gays e lésbicas. A justificativa expressa no código penal indiano era de que o comportamento homossexual é "um atentado contra a natureza". Os juízes indianos consideraram que a proibição era uma violação dos "direitos fundamentais" e, após 148 anos, alteraram a legislação.

Esse tipo de argumento – de que o sexo com indivíduos do mesmo gênero não é natural –, muito usado no século 19, é recorrente até os dias de hoje e permeia o debate do tema em vários países. As observações científicas, no entanto, demonstram que o argumento não tem base, já que são vários os exemplos de animais que mantêm relações sexuais e até mesmo de parceria com indivíduos do mesmo gênero.

Os biólogos Nathan Bailey e Marlene Zuk, da Universidade da Califórnia em Riverside, publicaram no mês passado um estudo que é uma revisão de várias outras pesquisas sobre o tema. O trabalho, publicado no periódico Trends in Ecology and Evolution (Tendências em Ecologias e Evolução), reforça que o sexo homossexual é muito comum no mundo animal e é motivado por diferentes razões, como a falta de um parceiro do outro sexo, a necessidade de formar alianças, praticar e reforçar a hierarquia, por engano e até para criar um filhote.

Nesta entrevista a ÉPOCA, a professora Marlene Zuk fala sobre a pesquisa e diz que, na discussão sobre a homossexualidade, a sociedade foi apressada demais ao classificar o sexo entre pessoas do mesmo gênero de "anormal".

ÉPOCA – Qual foi a conclusão do estudo sobre sexo entre animais do mesmo gênero?

Marlene Zuk – Percebemos que o sexo homossexual entre animais é extremamente comum e extremamente variável; muitos animais têm interações desse tipo, e elas vão desde um casal duradouro de albatrozes fêmeas até o rápido cortejo entre dois machos de mosquitos de frutas.

ÉPOCA – O sexo homossexual entre animais tem algum papel na evolução?


Marlene
– Sim, pois esse comportamento pode permitir aos animais passar seus genes para frente mesmo que não estejam participando de um acasalamento heterossexual.

ÉPOCA – Você pode dar alguns exemplos? 
Marlene
– Há alguns besouros que forçam relações com outros machos. Há evidências de que o esperma depositado pode acabar sendo transferido para as fêmeas quando esse macho for acasalar, passando para frente assim os genes do primeiro macho. Um outro caso é o de algumas populações de albatrozes que observamos no Havaí nas quais há mais fêmeas do que machos. Nessas circunstâncias, duas delas podem se juntar e cooperar na criação de um filhote e, algumas vezes, têm mais sucesso do que os casais heterossexuais. Isso pode influenciar o funcionamento da população e alterar suas características, passando o gene da albatroz fêmea homossexual para frente.

UNIÃO
Em algumas populações de albatroz-de-laysan observadas no Havaí, é comum duas fêmeas se juntarem para criar um filhote

ÉPOCA – E há alguma vantagem evolucionária de se relacionar apenas com animais do mesmo sexo?
Marlene
– Há custos e benefícios para todos os comportamentos, incluindo aqueles entre seres do mesmo sexo. As pessoas talvez tenham sido muito precipitadas ao classificar o comportamento homossexual como aberração ou anormal. Ele ocorre sob algumas circunstâncias, mas não em outras, mas esse é o padrão de muitos outros comportamentos.

ÉPOCA – Isso vale tanto para o comportamento dos humanos quanto dos animais?

Marlene – Sim, há uma longa história de chamar a homossexualidade humana de anormal e até de caracterizá-la como um distúrbio psiquiátrico. Mesmo no caso dos animais, as pessoas tentam achar uma "desculpa" para o comportamento, dizendo que é resultado do cativeiro, ou que representa algum tipo de patologia. Mas cada vez mais estamos descobrindo que as experiências homossexuais são parte da vida animal.

ÉPOCA – O que motiva o sexo homossexual entre os animais?

Marlene – Isso ocorre por razões muito diferentes em animais diferentes. Em moscas de fruta, por exemplo, os machos cortejam outros machos porque um gene que os faz distinguir machos de fêmeas está alterado. Mas nos bonobos o sexo é usado socialmente, como uma forma de resolver tensões entre alguns indivíduos.

ÉPOCA – É possível comparar o comportamento homossexual entre os humanos e os animais?

Marlene – Sim e não. Sim porque, como outros animais, os humanos têm várias formas de passar seus genes para frente, tanto diretamente – tendo filhos – quanto indiretamente, fazendo alguma coisa para favorecer seu sobrinhos ou netos, por exemplo. Mas, por outro lado, não é possível comparar porque os outros animais não apresentam parcerias entre dois machos ou duas fêmeas para a vida toda, a não ser que tenham acasalado com o sexo oposto, como no caso do albatroz.

ÉPOCA – Como você vê a ideia de que ser gay é genético? Do ponto de vista da ciência, isso é possível?

Marlene – A maior parte dos biólogos acredita que todos os comportamentos, seja um relativamente simples como o jeito que a pessoa anda, até os extremamente complexos, como a orientação sexual, têm origem na combinação dos genes e do ambiente. Assim, a procura pelo "gene gay" é simplificada demais, assim como a ideia de que vamos encontrar uma fonte social para isso.

Fonte: REVISTA ÉPOCA

quarta-feira, março 17, 2010

“A homossexualidade é como um vício”

"A homossexualidade é como um vício", diz deputado a favor da pena de morte para gays

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O jornal "Folha de São Paulo" publicou em sua edição de hoje (16), entrevista com o autor da lei que prevê pena de morte aos homossexuais da Uganda. Ao repórter Fábio Zanini, David Bahati, deputado que é autor da lei em questão, disse que a família ugandense está sob "ameaça" por conta dos homossexuais.


Para David, a homossexualidade é um vício. "Temos nossos valores. Isso não inclui a homossexualidade. Acreditamos que a pessoa não nasce com isso. É algo que é aprendido e pode ser 'desaprendido'. É como fumar. Torna-se um vício", disse o deputado a favor da pena de morte para os gays.


Durante a entrevista, outros absurdos são ditos pelo deputado reacionário como, por exemplo, de que a homossexualidade diminui a vida em "vinte anos". Além disso, ele não acredita que direitos gays sejam direitos humanos.


Questionado se a prisão perpétua para homossexuais não seria um exagero, David Bahati diz que não. "Que punição você daria para alguém que tenta destruir nossas crianças?", justifica o deputado. Bahati também defende a censura prévia. "Nossas crianças devem acessar informação em TV, ou na internet, livre do conteúdo gay".

Fonte: A Capa

terça-feira, março 16, 2010

Porque a bíblia tão somente me diz! P.7-9

Os vídeos 7 ao 9 um antagonismo enorme! O fim trágico de uma jovem, que não foi recebida no amor por sua mãe, e que deu cabo de sua vida. Então, só depois, sua mãe resolveu a militar numa causa justa.

E os outros dois vídeos contando uma história diferente, uma história FELIZ! Sim, caro amigo e amiga, irmão e irmã homossexual, você pode ser FELIZ. As famílias que aceitam seus filhos e os honram são felizes e permanecem no amor. Quero destacar, aqui, a família de Jake, pelo fato deles serem luteranos, e o amor que demonstraram por Jake, atuando nas suas causas, junto com ele, incondicionalmente, sendo levados presos por protestarem, por dizerem: “VOCÊS NÃO PODEM DIFUNDIR O ÓDIO”; é um abraço a todas as famílias de gays, e a todos nós homossexuais. Emocionei-me junto com eles, e fico extremamente grato e feliz pela existência dessa família que deu sentido ao amor, vivenciando-o.

Amar não é apenas dizer que ama alguém, mas que rejeita ou abomina isso ou aquilo. Na verdade isso não é amor, pois quem ama, assim o faz, incondicionalmente, se há condições não há amor, e sim conveniências, trocas e barganhas, sim, isso a Igreja Evangélica sabe bem... Ser conveniente e fazer barganhas.

Há uma lição aqui, e você e convidado, convidada, a aprender... A felicidade só depende de você, afinal, você é o agente incondicional de sua própria existência, sua vida é sua, e cabe a você deixar aos outros dizerem que você pode ter fé, família, e uma vida ou não. Nós, da militância LGBT e cristãos decidimos não deixar alguém dizer se podemos ou não ser felizes, apenas resolvemos assumir os rumos, a peregrinação da nossa felicidade! Pense nisso, reflita sobre isso.

segunda-feira, março 15, 2010

Paraná: Dia 17 de maio Dia Estadual de Combate a Homofobia

Governador Roberto Requião promulga lei que institui o dia 17 de Maio como o "Dia Estadual de Combate a Homofobia" no Paraná

Foi publicada hoje, 15/03, no Diário Oficial (Paraná) n° 8179, a promulgação da Lei nº 16454/2010 que institui o dia 17 de Maio como o "Dia Estadual de Combate a Homofobia" no Paraná (texto da lei e justificativa abaixo).

A data é 17 de maio porque neste dia, em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade do rol de enfermidades, deixando de ser considerada uma doença. A data é comemorada em todo o mundo pela comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT).

A homofobia pode ser definida como o medo, a aversão, ou o ódio irracional aos homossexuais, e, por extensão, a todos os que manifestem orientação sexual ou identidade de gênero diferente dos padrões heterossexuais convencionalmente aceitos. O termo descreve um variado leque de fenômenos sociais relacionados ao preconceito, à discriminação e à violência contra homossexuais.

A lei é da autoria da deputada estadual Rosane Ferreira (PV) e do ex-deputado estadual Professor Lemos (PT). De acordo com Lemos, “foi importante a aprovação do nosso Projeto, isso é um avanço na luta pela igualdade de direitos e pela não discriminação quanto à orientação sexual e identidade de gênero de cada ser humano”, comentou.

A deputada Rosane Ferreira justificou a necessidade da lei, relembrando que “o Brasil foi classificado em 2009 como o país mais homofóbico do mundo, com 198 homicídios de homossexuais e este número vem crescendo a cada ano. Com o Dia de Combate à Homofobia, buscamos promover no estado discussões e ações educativas sobre o direito de orientação sexual e identidade de gênero para todos os paranaenses”. Segundo a Deputada, a falta de debate e conscientização sobre o direito de orientação sexual e identidade de gênero agrava ainda mais a discriminação. “É por isso que apoiamos todos os movimentos de defesa dos homossexuais, avançando na conquista de uma sociedade mais justa e democrática”, completou.

A lei paranaense vem se somar às leis de municípios (incluindo Curitiba) e 7 estados (Minas Gerais, Amazonas, Pará, Goiás, Distrito Federal, Espírito Santos e Paraíba) que já tem o Dia de Combate à Homofobia no calendário oficial (lista em www.abglt.org.br/port/leis_homofobia.php)

Repercussão na comunidade LGBT paranaense

As organizações que integram a Aliança Paranaense da Cidadania LGBT celebram a promulgação da lei.

Rafaelly Wiest, presidente do Grupo Dignidade, entidade pioneira de promoção da cidadania LGBT no Paraná, considera que “em um estado conservador como o nosso, uma data como essa se torna necessária para que a visibilidade positiva da comunidade LGBT, bem como a reflexão sobre os direitos humanos da mesma, sejam fomentados e resguardados”.

“Nada é por acaso. O Paraná ficou no topo da lista como recordista de assassinatos homofóbicos em 2009. Instituir o 17 de maio como "Dia Estadual de Combate à Homofobia" é reflexo dos trabalhados das organizações que buscam a cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, e são compreendidas por alguns setores do estado que, aliados, buscam um Paraná sem Homofobia”, afirmou Márcio Marins, presidente do Dom da Terra e coordenador-geral da Associação Paranaense da Parada da Diversidade.

Carla Amaral, presidente do Transgrupo Marcela Prado, enfatizou que “a data em questão possibilita visibilidade à população LGBT que, constantemente, tem lutado para a diminuição dos estigmas preconceitos e discriminação.”

Para Igor Francisco, presidente da ONG Centro Paranaense da Cidadania, “é de suma importância para a comunidade LGBT paranaense ter uma data de combate à homofobia, tendo em vista que, somente esse ano, foram mais de 20 assassinatos de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.”

Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, afirma que “é importante termos uma data específica que seja um momento de sensibilização e educação dos paranaenses para o respeito à diversidade humana. Esta é uma vitória do movimento LGBT paranaense e pessoas e organizações aliadas da causa LGBT. Neste ano queremos comemorar a data de 17 de maio com uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná”, acrescentou Reis.

Informações adicionais:

Rafaelly Wiest – presidente do Grupo Dignidade – 41 9651 4204

Marcio Marins - coordenador-geral da Associação Paranaense da Parada da Diversidade e presidente do Dom da Terra – 41 9109 1950

Carla Amaral – presidente do Transgrupo Marcela Prado – 41 9638 1057

Igor Francisco – presidente do Centro Paranaense da Cidadania – 41 9957 2181

Toni Reis – presidente da ABGLT – 41 9602 8906

PROJETO DE LEI Nº 579/2009

Art. 1º Fica instituído o Dia Estadual de Combate a Homofobia, a ser promovido, anualmente, no dia 17 de maio.

Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Sala das Sessões, em 21/10/09.

ROSANE FERREIRA

PROFESSOR LEMOS

JUSTIFICATIVA:

O presente projeto de lei tem por objetivo instituir o Dia Estadual de Combate a Homofobia no Estado do Paraná, a ser comemorado no dia 17 de maio de cada ano. A iniciativa visa a promoção e discussão sobre o direito à livre orientação sexual.

Segundo dados fornecidos pela ABGLT (Associa­ção Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis E Transexuais), o Brasil foi classificado em 2008 como o País mais homofóbico do mundo, tendo 190 homicídios de homossexuais naquele ano, seguido do México com 35 e Estados Unidos com 25 homicídios. Tal número vem crescendo a cada ano.

A falta do debate e conscientização sobre o direito de orientação sexual, agrava ainda mais a discriminação.

No dia 17/10/90, a Organização Mundial de Saúde retirou a  homossexualidade do rol de enfermidades dei­xando de ser considerada como doença. Tal fato foi con­siderado um importante avanço na busca pela igualdade de direitos e pela não discriminação quanto a orientação sexual de cada ser humano.

Neste sentido, solenizar a data de 17 de maio, a ser incluída na agenda anual de  celebrações, proporcionaria a discussão e a reflexão sobre o direito de orientação sexual, visando promover a cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais no Estado do Paraná.

Diante do exposto, contamos com o apoio dos nobres Pares para a aprovação do presente projeto de lei.

Porque a bíblia tão somente me diz! P.4-6

Nos vídeos seguintes uma história triste, de uma postura intransigente e que custará muito caro à sua protagonista. Essa historinha de que Deus ama o homossexual, mas não aceita sua homossexualidade, e que esta é uma opção, uma escolha, sempre tem seu fim trágico, toda vez que é levado o discurso ao tom de palavra final.




A voz do preconceito do rancor e do ódio faz o torpor da morte ser sentida na parte emocionalmente frágil da situação, de fato, e de direito. Pessoas que encabeçam esse discurso, geralmente e maldosamente, assemelham os gays aos prostitutos, aos assassinos, aos ladrões e a tudo que há de ruim na sociedade. Dizem de um amor hipócrita, e querem a subjugação daqueles a quem o ódio segue em sua carreira fria e sega.

Desprezam as ciências e querem mudar o gay, o seu comportamento, como se a atração pelo mesmo sexo fosse algo estritamente comportamental. Esse é o ódio silencioso, que despreza a Deus e se traveste de discurso religioso em nome do próprio Deus!





domingo, março 14, 2010

Suicídio entre homossexuais

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Uma pesquisa da Universidade de Otago na Escola de Medicina e Ciências da Saúde, na cidade de Christchurch na Nova Zelândia, sugere que homens gays jovens possuem um risco maior de desenvolverem problemas de saúde mental do que heterossexuais.

A pesquisa é realizada há dez anos e examina uma amostra de 100 cidadãos nascidos na cidade e na faixa etária jovem. Essa comparação indica que gays estão associados com grandes taxas de depressão, ansiedade, dependência química, tentativas e pensamentos suicidas. A relação de propensão a manifestar problemas de saúde mental é cinco vezes maior para homens homossexuais e duas vezes maior para as lésbicas comparando com as mulheres exclusivamente heterossexuais.

“Nossas descobertas suportam claramente a visão de que indivíduos jovens gays, lésbicas e de orientação bissexual estão com risco acrescido de desenvolverem problemas de saúde mental e comportamentos suicidas” disse o professor David Fergusson.

O que a pesquisa revelou não é novidade. Entre os adolescentes brasileiros a sexualidade é a segunda responsável pelo suicídio dos meninos, e a terceira para as meninas. Pesquisas anteriores revelaram que a taxa de estresse dos homossexuais é maior que a das outras pessoas, uma vez que o preconceito e a discriminação são ameaças constantes. E eu acrescento, vivendo em um país como o nosso, cheio de malandrinhos a cada esquina - e até em lugares sem esquinas como Brasília, fizeram sem para diminuir a concorrência - o estresse só aumenta.

Porque a bíblia tão somente me diz!

Acabei de rever a série “Porque a bíblia tão somente me diz!” E vou reproduzi-la aqui, neste blog. "For the Bible Tells Me So" é um documentário de 2007 dirigido por Daniel G. Karslake sobre homossexualidade e seu conflito com a religião, mostrando também algumas interpretações sobre o que a bíblia diz sobre a sexualidade entre duas pessoas do mesmo gênero. O vídeo também inclui segmentos de entrevistas com grupos de pais religiosos, expondo suas experiências pessoais na criação de filhos homossexuais.

Embora seja uma seqüência de vídeos todos eles estão entrelaçados. Desde o vídeo 1 ao 3 gostaria que, quem assistir, ficasse ligado na história do jovem Jake Reitan. Sua família é luterana, como a minha, e eles viveram um drama. O que me chamou a atenção foi à mãe de Jake dizendo: “ele havia falado para sua irmã a um ano atrás, um ano sem me dizer nada, ele contou para outras pessoas, mas não falou para mim, eu que sempre escutei a todos. Eu o decepcionei”.

Imagino o que deva ter acontecido com Jake, lembrei de mim, uma vez que quis contar para minha mãe sobre minha sexualidade, e ela me interrompeu ao perceber do que haveria de dizer, e concluiu: “eu não quero saber, não quero escutar!” Dias depois estava eu chorando no meio da rua, quando uma senhora, já idosa, perguntou-me o que estava acontecendo, eu respondi: “A senhora realmente deseja saber, ou só está sendo educada comigo agora?” Aquela senhora me olhou dentro dos olhos, e com bondade disse: “quero realmente saber!” Eu pensei: “Meu Deus essa senhora tem mais de 70 anos, o que eu vou dizer?” Naquele momento só senti vontade de dizer, embora pensasse na reação dela, então disse: “estou sufocado com tudo, não consigo me achar, tem uma dor dentro do meu peito e eu não sei se vai passar. Sabe? Eu sou gay, e não consigo viver com isso, tudo em minha volta está se desfazendo, acabando, e eu não consigo evitar...”

Com um olhar materno, aquela senhora me deu um abraço e me disse: “ Meu jovem, você é tão bonito, parece ator de novela! É tão educado e inteligente, se você quiser que essa velha senhora te diga algo para te confortar, então eu posso te chamar a atenção para uma única coisa: não bata em você mesmo, a dor vai passar, aquilo que está em ruínas, você poderá reconstruir, mas, jamais, se você se destruir ou lamentar por algo que não é culpa sua, e nem é errado. Não se esconda da felicidade, apenas olhe para ela, olhe para você mesmo, e viva, viva seus dias da melhor forma possível, seja bom para com seus semelhantes, caridoso para com os necessitados, e ame! Contudo, você não conseguirá nada sem antes se amar primeiro!”

Lá estava eu sendo acolhido por alguém que eu nunca havia visto antes, lá estava eu desejando que essas palavras fossem da minha mãe, lá estava eu sendo confortado no meu desespero interior, sem saber o que fazer depois, mas com uma única certeza: ela, aquela senhora tinha razão!

Às vezes, a única coisa que desejamos tanto de nossa mãe é que ela seja companheira, e nos entenda, mas, ao contrário, elas são as primeiras a nos julgar e suas ofensas criam raízes profundas e dolorosas. Ao ver a cena de Jake e sua família luterana, lembrei das minhas cenas e de minha família luterana... Assim decidi registrar isso, com aquele velho aperto no peito...

sábado, março 13, 2010

Vaticano critica 'tentativas agressivas' de envolver papa em escândalo

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Vaticano critica 'tentativas agressivas' de envolver papa em escândalo

O Vaticano afirmou que tem ocorrido tentativas "agressivas" de envolver o papa Bento 16 em um escândalo de pedofilia na Alemanha. "Alguns vêm tentando com certa agressividade persistente, em Ragensburgo e Munique, procurar elementos para envolver pessoalmente o Santo Padre com os casos de abusos", disse o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, à rádio da instituição neste sábado.

"Está claro que estas tentativas falharam", completou, afirmando ainda que as alegações seriam "difamatórias".

A arquidiocese de Munique (sul do país) disse que o papa, então Joseph Ratzinger, envolveu-se em 1980 na decisão de enviar um padre da região, suspeito de pedofilia, para sessões de terapia, depois que outra diocese, a de Essen (no oeste alemão), requisitou sua transferência devido ao surgimento das alegações.

De acordo com o comunicado da arquidiocese de Munique, outro padre, Gerhard Gruber, que ocupava um lugar menor na hierarquia, assumiu responsabilidade por permitir que o padre voltasse a exercer trabalho pastoral imediatamente.

A Igreja afirma que em 1986 o padre envolvido no escândalo recebeu uma sentença de prisão a ser cumprida em liberdade por abuso infantil. Desde então ele ainda realiza trabalho pastoral no Estado da Baviera (sul do país), embora não tenha sido mais permitido seu contato com crianças e jovens.

"Falsas e caluniosas"
O responsável do Vaticano para lidar com casos de padres acusados de crimes sexuais, Charles Scicluna, afirmou à imprensa italiana que as acusações de que o papa estaria tentando abafar os casos de abusos seriam "falsas e caluniosas".
Ele afirmou que Ratzinger mostrou firmeza e sabedoria ao lidar com o tema por quatro anos antes de tornar-se papa.

Scicluna disse que, desde 2001, o Vaticano recebeu cerca de 3 mil acusações de abusos de menores, que teriam ocorrido nos últimos 50 anos.
"Podemos dizer que cerca de 60% destes casos envolveram atração sexual por adolescentes do mesmo sexo, outros 30%, relações heterossexuais", disse ele.

"Os 10% restantes seriam casos de pedofilia propriamente ditos, envolvendo atração sexual por crianças pré-puberdade." Ele disse que 60% dos casos não foram julgados, em sua maioria por causa da idade avançada do acusado, mas foram adotadas outras medidas disciplinares, como a imposição de o padre viver recluso ou proibido de celebrar missas.


Perdão
Na sexta-feira, o presidente da Conferência Episcopal alemã, monsenhor Robert Zollitsch, pediu perdão em nome de todos os bispos da Alemanha pelos abusos contra menores ocorridos em escolas católicas.

"(Os bispos) estão arrasados pelo que houve, pelos atos de violência contra menores, e pedem perdão às vitimas de crimes de pedofilia", disse o clérigo, falando aos jornalistas logo depois de um encontro de 45 minutos com o papa Bento 16 no Vaticano nesta sexta-feira.

Segundo o monsenhor Zollitsch, na reunião com o papa o assunto principal foram as medidas que a Conferência Episcopal alemã está tomando para enfrentar o problema dos abusos contra menores.

Cerca de 200 casos de abusos sexuais e violência envolvendo institutos católicos, em quase todas as dioceses da Alemanha, foram denunciados nos últimos meses.
O presidente da Conferência Episcopal alemã, que também teve um encontro com o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, William Levada, disse que a Igreja Católica está revendo as próprias normas a respeito de casos de pedofilia.
"A congregação para a doutrina da fé está recolhendo as experiências nos vários países para fazer uma avaliação e eventualmente atualizar as próprias normas, especialmente no que se refere à denuncia à magistratura civil", informou o prelado.

Monsenhor Zollitsch garantiu toda a colaboração do episcopado alemão com a Justiça, para esclarecer toda a verdade sobre o escândalo dos abusos sexuais.
"O papa confirmou explicitamente este ponto", disse.

Fonte: UOL

ORGULHO GAY

Adam Lambert afirma se sentir "feliz e orgulhoso" por ter se assumido gay

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O cantor Adam Lambert afirmou estar feliz e orgulhoso de ter se assumido homossexual.
“Eu acho que autonomia é um ótimo presente para dar às pessoas. E isso não é só para os meus fãs gays, quero que as mulheres que gostam da minha música se sintam confortáveis e sexy por ser quem são. Espero que minha música promova isso”, declarou Lambert em entrevista ao jornal australiano Herald Sun.

O cantor só saiu “oficialmente” do armário após sua participação no American Idol, em 2009, em uma entrevista para a Rolling Stone. "Logo após a final, eu quase comecei a falar sobre isso aos repórteres, mas eu pensei, 'Eu vou esperar pela Rolling Stone, será mais legal'", contou.

Em novembro passado, uma polêmica tornou Lambert ainda mais famoso. Em sua apresentação no American Music Awards, enquanto cantava o single For Your Entertainment, o cantor simulou sexo oral com um dançarino e deu um beijo caloroso no tecladista de sua banda.

A performance provocou a fúria de mais de 1500 telespectadores que ligaram para o canal ABC, que transmitiu o evento, para reclamar e lhe gerou cancelamentos de participações em programas da emissora.

Fonte: G Online

A Igreja e a homossexualidade: a lição de um pastor que, de fato, pastoreia!

Vou reproduzir aqui um texto que está publicado no site A Capa, na coluna do Rev. Márcio Retamero, este texto o próprio Rev. Márcio me enviou, pelo e-mail. Fazemos parte de uma mesma lista de discussão, e eu não o conheço pessoalmente, muito embora, desejo expressar o quanto fico honrado pela presença nobre que ele, por lá, nos concede. Admiro o trabalho deste homem, e de sua Igreja, que na verdade é um orgulho para mim! Sempre quando sou procurado por algum jornalista, querendo entrevistas e me pergunta: “você conhece alguma igreja que aceita homossexual?” Dou a resposta estufando o peito: “A Igreja Bethel do RJ, do Rev. Márcio.

Eles primam pela Reforma, e a igreja lá é de tradição reformada, o querido Márcio (se assim me permitem) foi pontual nesse texto, muito feliz mesmo, diria brilhante! Querido pastor, que Deus continue te iluminando, e que cada dia mais essa referência do amor de Cristo esteja no seu coração, com suas ovelhas, em todo seu trabalho, iluminando o mundo, anunciando o Reino de Deus e sua justiça!

Amor de mãe
Por Márcio Retamero* 12/3/2010 - 13:39

"Assim diz a Bíblia" ("For the Bible tells me so") é um documentário estadunidense sobre cinco famílias cristãs que enfrentaram corajosamente o fundamentalismo religioso após a descoberta da homossexualidade de seus filhos e filhas. O filme mostra contundentes análises de teólogos e pastores que desconstroem os falaciosos argumentos do fundamentalismo religioso.

Assistindo "Assim diz a Bíblia" percebemos que é possível em nossa geração o que um dos profetas bíblicos definiu como sua missão: "converter os corações dos pais aos seus filhos e dos seus filhos aos seus pais". Muitas são as famílias destruídas pelo discurso dos evangélicos e católicos fundamentalistas! Neste exato momento que você lê essas linhas, pode ter certeza que em algum lugar deste planeta um  homossexual está sendo expulso de casa porque seus pais aprenderam na igreja com o pastor ou padre que "homossexualismo" (sic) é abominação para Deus e que "são dignos de morte os que tais coisas praticam" (Romanos 1.32). Como não têm coragem de matarem os próprios filhos e filhas literalmente, matam em seus corações, expulsando-os do lar.

Um dos depoimentos mais emocionante e também chocante do filme é o de Mary Lou Wallner (foto ao lado), da cidade de Cabot/Arkansas. Mary Lou é a mãe de Anna, uma linda americana de olhos azuis, que aos dez meses de idade já balbuciava o hino cristão, que diz: "Yes, Jesus loves me! This I know, for the Bible tells me so" (Sim, Jesus me ama! Isso eu sei, porque assim diz a Bíblia).

Anna escreveu uma carta à sua mãe que contava que ela era diferente das demais meninas da universidade onde estudava, pois amava meninas e não meninos. Na carta ela escreveu sobre a angústia que sentia desde que se descobriu diferente das demais meninas, pedia à mãe compreensão, afeto, amor enfim.

Mary Lou respondeu por escrito que a amava, mas que odiava a homossexualidade de Anna, porque a Bíblia diz que homossexualidade é uma abominação para Deus. Recheou sua carta com versículos bíblicos tirados do seu contexto (como o acima citado) para que a filha não tivesse dúvidas que, para Deus, o que ela sentia era algo abominável. Anna não segurou a dor da rejeição de sua mãe, afinal, ser lésbica era parte dela, era ela, e tirou sua própria vida, pendurando-se no seu quarto.

Devastada pelo suicídio de Anna, Mary Lou conheceu a teologia inclusiva. Conheceu outras famílias cristãs que passaram pelo que ela estava passando e com eles estudou profundamente as Escrituras. A descoberta da verdade acerca do que realmente diz a Bíblia sobre a homossexualidade e a revelação de um Deus de Amor, conforme proclamado por Jesus não jogou a pá de cal sobre Mary Lou. Antes, a levantou do monturo existencial sobre o qual jazia para a militância por uma igreja inclusiva de fato e pelos direitos dos LGBTs em seu país, tornando-a uma das mais aguerridas militantes pela causa LGBT, enfrentando frente a frente as mentiras dos fundamentalistas religiosos e tombando-os com a verdade agora descoberta.

Escrevo essa coluna há dez meses. De maio de 2009 até o presente momento, tenho recebido inúmeras boas surpresas na vida, uma delas, é que há um mês multiplicam-se os e-mails em minha caixa postal de mães de LGBTs que me leem aqui no A Capa. Sim, muitas mães brasileiras estão me escrevendo pedindo auxílio para compreenderem a sexualidade de seus filhos e filhas; são mães cristãs (pais também, mas em menor número). Este artigo é a resposta pública que dou a uma delas, na verdade, a minha tréplica.

Duas semanas atrás recebi um e-mail de uma mãe de São Paulo, integrante de uma importante e conhecida Igreja Batista desta capital. Ela é mãe de três filhos e um deles, o do meio, é gay. Esta mãe e seu esposo estavam passando por uma imensa crise há cerca de um ano, desde que seu filho foi excluído do rol de membros de sua igreja, não antes de ter sido exposto diante de inúmeras pessoas de sua congregação. O resultado do que ela chamou de "calvário" foi ver seu filho profundamente deprimido, um jovem que antes era cheio de força, vigor e saúde mental, entregue aos remédios receitados por um especialista. Além disso, seu esposo jamais retornou à igreja e seus outros filhos, se recusavam também. Ela era a única que persistia em voltar à igreja "de cabeça erguida", pois até aquele momento, "sentia" que o certo tinha sido feito: seu filho é uma abominação para Deus e estava sofrendo as conseqüências do seu "pecado". 

O que esta mãe não entendia era porque, se o certo tinha sido feito, sua família que antes era uma família saudável e feliz, estava partida, sofrendo profundamente; e me perguntava: "aprendi na minha igreja que Deus ama o pecador, mas odeia o pecado. Quero saber de você que escreve neste site gay que Deus ama os homossexuais, de onde você tira essa certeza. Preciso saber disso com urgência, pois minha família está em crise e temo perdê-la".

Em minha resposta, enviei em anexo um estudo sobre Bíblia e Homossexualidade; pedi que ela lesse com atenção toda a apostila, mas não sozinha, que fizesse isso junto aos filhos e seu esposo. Também indiquei o documentário "Assim diz a Bíblia", reforçando que ela não deveria vê-lo sozinha, mas com a família reunida; que anotasse todas as suas dúvidas e que me escrevesse novamente.

Recebi sua resposta no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher e meu aniversário. Foi o melhor presente que recebi neste ano! Agora, assinava ela e seu esposo e eu pude sentir a emoção e o amor deles naquele e-mail. Neste, eles agradeciam muito os textos e a indicação dos filmes e que não tinham dúvidas alguma, pois o que leram e assistiram foi cura para tudo o que estavam passando até ali. Escreveram: "a missão de um profeta é também converter os corações dos pais aos filhos e vice-versa e isto foi o que seu trabalho profético fez aqui em nosso lar. Deus o abençoe!" Pediam indicação de uma igreja inclusiva e prometeram reunir a família para, no próximo domingo, estarem lá juntos, como fizeram tantas vezes no passado.

Vocês, mães queridas, que neste momento estão lendo este artigo, não precisam passar a dor que Mary Lou Wallner passou; nem precisam passar pelo "calvário" que esta mãe de São Paulo passou para se converterem aos seus filhos e filhas LGBTs. Deus é Amor e tudo o que não promove o amor, mas causa divisão, dor, sofrimento, suicídio, morte, trevas, doenças e separação não pode vir de Deus, nem de pessoas de Deus. A religião que escolhe o fundamentalismo como via tem as mãos sujas do sangue de Anna Wallner e de milhões de gays e lésbicas, travestis e transexuais que tombam, diariamente, sem vida ao chão.

A cura para o veneno que fundamentalismo religioso e o mau uso da Bíblia inoculou em nós, encontramos no amor em primeiro lugar - amor incondicional; e no conhecimento acumulado por pessoas que estudam temas como a Bíblia e a homossexualidade, dentre outros tantos temas que perpassam o assunto. Estudem! Leia tudo o que for necessário para compreenderem que homossexualidade não é pecado nem doença e se afastem daqueles que estão destruindo famílias em nome de um deus que não sabe o que é amor.

Derrubar muros e construir esperanças é o alvo de todo teólogo inclusivo e de toda igreja inclusiva. Continuem me escrevendo! Deus abençoe vocês!


* Márcio Retamero, 36 anos, é teólogo e historiador, mestre em História Moderna pela UFF/Niterói, RJ. É pastor da Comunidade Betel do Rio de Janeiro - uma Igreja Protestante Reformada e Inclusiva -, desde o ano de 2006. É, também, militante pela inclusão LGBT na Igreja Cristã e pelos Direitos Humanos. Conferencista sobre Teologia, Reforma Protestante, Inquisição, Igreja Inclusiva e Homofobia Cristã. Seu e-mail é: revretamero@betelrj.com.

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