domingo, janeiro 01, 2006

Paz?

REFLEXÃO

Fala-se de paz em 2006; povos desejam a harmonia, e a celebram como entrada de um novo ciclo de vida. Mas a paz entre os homens não é uma hipótese comum. A mesma ideologia que rege a paz como belo, como o ideal dos povos, como o valor a ser conquistado, também, joga, essa paz, na desesperança por "endemonizar" conceitos da vida social que não afetam a ninguém de forma destrutiva, mas que pelo preconceito são postos à margem, afligindo milhões em nome de uma ética que faz a guerra em nome da harmonia, do triunfo, da perfeição.

Que conceitos seriam esses? Hoje, o conceito de se amar a quem quiser amar. Como pode de uma instituição religiosa, na sua missa mais bela, que anuncia a chegada do salvador, em uma homilia, teologicamente, perfeita, encontrarmos o paradoxo tão crucial e cruel à vida? Bento XVI falava de paz em 25 de dezembro de 2005, mas declarou guerra, logo depois, colocando jugo sobre os ombros de tantos, pela sua preocupação com o modelo familiar, que santificou a pureza de um relacionamento- homem e mulher- e condenou, de forma mesquinha, outras possibilidades, que não afetariam a estrutura do humano.

Guerra não é só das armas; o mundo viveu durante muito tempo a GUERRA FRIA! E hoje, na prisão sem muros, a guerra da indiferença e do preconceito à homossexualidade é declarada de forma estúpida, negando o desejo utópico de um mundo que viva em paz. Negando, sim, pois quando não se respeita o que é natural, e se tenta aprisionar sentimentos, o que acontece é o estado de revolta constante pela aflição e incomodo da realidade atormentada. Como o homem poderá viver em harmonia com o outro, se ele vive em desarmonia consigo, com sua natureza, com seus desejos, com sua forma de ser e de se reconhecer?

Falar de paz está na moda, promovê-la é que está démodé, falar de paz até o presidente da nação mais poderosa do mundo falou, enquanto, ele mesmo, retirava a paz de milhões no oriente. Falar de paz virou top de linha nos discursos de marketing, viver em paz é que ninguém consegue! O homem continua sendo o lobo do homem, e enquanto isso não for domesticado não haverá paz.

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