domingo, junho 26, 2005

Seminário GLBT discutirá igualdade de direitos

Compromisso com respeito e igualdade de direitos. Com esse propósito, as comissões de Legislação Participativa, Direitos Humanos e Minorias e a de Educação e Cultura, além da Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual, realizarão na próxima terça-feira (28), Dia Mundial do Orgulho GLBT, o 2º Seminário Nacional da comunidade de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros. O evento acontecerá no plenário 5 da Câmara dos Deputados.

Quatro mesas de debates estão previstas para o encontro. Participarão dos debates especialistas da área jurídica, representantes de organizações que lutam pelo reconhecimento dos direitos da comunidade GLBT, no Brasil e na América Latina, junto com parlamentares comprometidos com a promoção da igualdade de direitos, independentemente da orientação sexual. A união civil, o combate à homofobia e a garantia de cidadania plena aos GLBTs serão os pontos centrais do seminário.

Para a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), presidente da Comissão de Legislação Participativa, o seminário é necessário para que os parlamentares reflitam sobre os mecanismos e instrumentos que garantam os direitos de GLBTs. "Vamos discutir formas de garantir esses direitos que, apesar de serem direitos humanos, ainda não estão sendo respeitados, porque existe uma cultura na sociedade de preconceito e discriminação, que gera situações de violência", ressaltou.

O encontro conta com o apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, do Conselho Nacional de Combate à Discriminação, do Programa Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT).

Emendas na LDO


A deputada Iara Bernardi (PT-SP) e o deputado Luciano Zica (PT-SP) apresentaram duas emendas à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) referentes a políticas públicas voltadas para a comunidade GLBT.

A emenda da deputada Iara foi apresentada para o Programa "Educação para a Diversidade e Cidadania", para que sejam implementados 27 projetos (um por estado) de qualificação de profissionais de educação no respeito à diversidade de orientação e identidade sexual.

O deputado Luciano Zica apresentou emenda ao Programa "Gestão de Política de Direitos Humanos", na ação "Gestão e Administração do Programa" para que sejam implementados 200 projetos de combate à violência e discriminação contra a comunidade GLBT.

Agência Informes (www.informes.org.br)
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SER
OU NÃO SER

Renato Hoffmann


Certo dia, conversando com alguns conhecidos, o
assunto homossexualidade surgiu, e de uma maneira, até então, por mim
nunca vivenciada. De certa forma, eu achei oportuno, mas não esperava uma
abordagem tão diretiva, que em certo momento me interiorizou.


Vanessa na mesa do restaurante com seu namorado e outros amigos,
olhando para mim, foi sem cerimônias: "Renato, o que é ser gay?".
Imediatamente, com as defesas do ego armadas, sorrindo, talvez sem graça,
disse: "gay é aquele pessoa que gosta de outra do mesmo sexo, você não
sabe?". Claro que procurei fugir do assunto, não por medo, mas pela
pergunta específica envolver algo que nunca havia respondido. Obviamente
que ela sabia o que é o conceito de ser gay, mas não a perspectiva do gay
em si mesma. Eu me assustei, pois estava assentado com evangélicos, e o
primeiro pensamento é, sem sombra de dúvidas,  o do juízo de valores.
Muito embora, ela me questionava em relação ao meu juízo de realidade.


Não tinha medo da pergunta, mas não estava disposto a ser questionado
em relação a moral, e muito menos, ter que defender o direito do ser o que
se é, naquela ocasião. Vanessa, entretanto, disposta a ter suas respostas,
disse-me: "Queria saber o que é ser gay, ou melhor ouvir de um gay o que
ele sente, julga, pensa da sua condição. Escutamos tantas vezes que é uma
escolha, que é doença, que é pecado, safadeza, mas nunca escutamos um gay
dizer o que ele pensa de sua condição, Renato como você se tornou gay?".
Achei aquilo tudo tão incomum, como eu me tornara gay? Talvez, certa manhã
eu levantei de minha cama, e disse a mim mesmo: "cansei de ser hetero,
enjoei, agora vou ser homo", e sai pela vida com minha "nova" identidade e
estilo de ser.


Então resolvi a falar, com a mesma indiscrição que fui questionado:



"Vanessa, não recebi no útero de minha mãe
uma opção, recebi uma condição; sou do sexo masculino, obviamente alguém
argumentaria, que natural seria que eu transasse com pessoas do sexo
feminino, sendo minha realidade presente o desvio da naturalidade com que
as coisas se estabelecem. Entretanto, nós falamos de pessoas, não de
animais, e mesmo que falássemos de animais. Para mim, ser homossexual é a
mesma coisa de ser heterossexual, você simplesmente é. O ser humano para
se constituir na sua realidade presente teve que negar tantas coisas ditas
naturais, e digo negar mesmo; usamos roupas, comemos com garfos, em
pratos, cozinhamos os alimentos, e mantemos relações sexuais longe da
vista dos outros. Então pergunto o que seria natural? Na minha opinião
natural é o sexo, não importa se com pessoas homólogas ou não; transar é
natural. Quem advoga que o sexo homossexual é anti-natural não transa, é
casto, e quer saber? A ciência diz que o ser humano é uma animal sexuado.
Portanto, anti-natural é se abster do sexo.



Existe na natureza animais
que mantêm relações com outros do mesmo sexo; quem nunca viu dois
cachorrinhos do sexo masculino praticarem o coito no meio da rua? Seriam
eles anti-naturais? Creio que não! Ser gay não é desvio de comportamento,
não é perversão, não é doença e, muito menos safadeza. Certo dia, percebi
em mim, que não resistia ao chamado de um determinado aspecto da
sexualidade, que me envolvia por ele e me excitava. Neguei a princípio,
veementemente, qualquer condição relacionada ao homoerotismo, e vivi
infeliz, sendo alguém que no fundo não era. Como me tornei gay? Não me
tornei, eu sou gay, as pessoas não se tornam gays, elas simplesmente são
ou não são. Agora, como me tornei o que sou? Simples, um dia acordei e
decidi ser o que eu sou, sem me preocupar muito com o juízo dos outros,
dando chances a mim de ser feliz e me encontrar. Nesse dia o Renato veio a
ser o que ele é. Sabe Vanessa, ser ou não ser eis a questão!".



domingo, junho 19, 2005

Tudo começou assim...

Sempre minha mãe foi minha melhor amiga, sempre contei tudo para ela. Certo dia resolvi contar sobre a minha homossexualidade, comecei contando aos pouquinhos, contei que sentia vontade de beijar meninas. Passaram-se os dias e ela me perguntou se a vontade havia passado, eu respondi que não passava tão rápido assim. Pronto! Começou o drama, a partir desse dia minha mãe não conversava mais comigo, não me dava carinho, me tratava como se eu fosse uma estranha. Comecei a ficar muito triste e arrependida.

Isso durou umas duas semanas até que ela resolveu conversar comigo. Começou dizendo que não conseguia me imaginar chupando a vagina de outra mulher, disse que era safadeza minha ou eu estava com algum encosto porque eu nunca tinha dado indícios de que era lésbica, porque para ela, lésbica é aquela masculinizada que usa bermudão, fala grosso, etc... E eu sempre fui super feminina, era chamada até de Barbie na época em que eu era mais magrinha e andava de bicicleta rosa. Disse que aquilo deveria ser alguma má influência de uma menina que conheci na net, enfim falou um monte de coisas... Depois de ouvi-la falar tudo isso, na tentativa de receber o carinho de minha mãe de volta, comecei a dizer que eu estava errada, pedi perdão a ela, disse incessantemente que não iria fazer mais aquilo, disse que iria pedir a Deus para me libertar, tentei convencê-la de todas as formas, e consegui. Hoje tenho o carinho dela e vivemos muito felizes, e ela acredita que sou "hetera".rsrsrs

Sei que fui fraca por negar minha homossexualidade, mas foi difícil escolher entre a liberdade e o carinho de minha mãe. Hoje em dia já não considero minha mãe como minha melhor amiga, nem tudo eu posso contar para ela.

Encontro-me com minha namorada escondida na net, é ela que minha mãe acha que me influenciou, ela é super masculinizada. Eu a amo d+, ela é o meu menininho, o meu docinho, o meu anjo, linda demais.

Confesso que fiquei magoada porque é difícil entender porque as pessoas só querem a Dandara certinha, boa filha, exemplo a ser seguido, "decente", que sempre traz alegria para as pessoas, mas não aceitam que eu seja feliz com a pessoa que amo.

Depois disso procurei na net um lugar onde me aceitassem do jeito que sou e acabei encontrando o gospel glbt. Obrigada pessoal!!!

Obrigada pela atenção, desculpe perturbar a paciência de vcs com um e-mail desse tamanho, mas é que eu precisava desabafar com alguém e se eu contar essas coisas para a minha girl ela fica tristinha.

Obs.: "hetera" foi uma brincadeira que fiz com a palavra, eu sei que o certo é heterossexual.
Aconteceram muito mais coisas, mas se eu contar tudo vai ficar muito grande.

Vcs são muito importantes p/ mim!
Beijos da Dandlife!

domingo, junho 12, 2005

Lucros e prejuízos


Assumir a homossexualidade para a família, amigos e conhecidos tira o sono de muita gente. Afinal, vale a pena sair do armário?


Entendo que, normalmente, sair do armário é algo positivo. Sem dúvida, há muitas dificuldades e muitas perdas - mas ganhos também, e estes costumam superar os prejuízos.


Perdem-se "amigos", mas, com os que sobram, a amizade acaba saindo fortalecida, e o fato de podermos ser do jeito que somos, sem interpretar um papel 24 horas por dia, é um elemento espetacular para a saúde psíquica.


Com a família, mais dificuldades. Entretanto, mesmo se demorar, pais e irmãos podem fazer um verdadeiro exercício de amor e reavaliar seus valores. No final, pode sobrar uma sólida aproximação, com o respeito que você merece - e a homossexualidade passa a ser um detalhe tão trivial quanto a cor de seu olho.


No entanto, é claro que nem tudo sai sempre assim. Há casos extremos de violência, expulsão de casa, bem como situações em que simplesmente não convém assumir (em uma empresa conservadora na qual você ganhe muito, por exemplo).


Sair do armário, portanto, engloba uma avaliação sincera dos riscos e dos benefícios. Algo, porém, tem de ficar muito claro. Por mais que sua família, seus amigos e seu emprego sejam importantes para você, você é a pessoa mais importante de sua vida. Respeite-se antes de tudo e respeite também seus limites.


Se estar no armário vira um fardo e faz com que você mesmo se torne preconceituoso, é hora de pensar em uma mudança, com todos os ganhos e perdas que ela traz. Afinal, ninguém viverá sua vida por você. Nem seus pais.


Por João Marinho
Fonte: Editorial da Sex Boys-DVD 17
www.sexboys.com.br

terça-feira, junho 07, 2005

Boa Notícia!
Evangélica é condenada a pagar indenização a casal gay


Pela primeira vez, uma evangélica da Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada no Rio Grande do Sul a pagar R$ 800,00 de indenização por danos morais a um casal gay. A ação correu no 5º Juizado Especial Cível de Porto Alegre e envolveu advogados do grupo SOMOS na defesa.

Isso é o mínimo que poderia acontecer com quem tenta ridicularizar e discriminar os homossexuais por causa de sua orientação sexual. A homossexualidade sempre foi alvo fácil do fundamentalismo religioso. Não é de hoje que sofremos masacres de religiosos que fazem questão de discriminar covardemente os homossexuais, além de tentarem, sem sucesso, "reverter" a homossexualidade em heterossexualidade, como se isso fosse possível. É hora de darmos um basta a tamanho ato de agressão.

Bom seria se todos os gays (cristãos ou não), resolvessem tomar a mesma medida de segurança, só assim a dívida que os homofóbicos evangélicos têm para conosco iria diminuindo sempre que os nossos direitos fossem transgredidos.

Infelizmente a quantia a ser paga pela homofóbica da IURD é irrisória, no entanto, a condenação serve de exemplo de cidadadia a ser seguido e conquistado por todas as vítimas do preconceito neste país.

Wallace Ximenes

Testemunho Pessoal

Reprimir desejos sexuais é fácil.
Castrar-se é fácil.
Canalizar sua energia sexual é fácil...
Tudo isso é muito fácil diante da terrível experiência de ter que aniquilar o amor.



Desde sempre eu freqüento a igreja. Sempre fui cristão assim como toda minha família. Sempre fui muitíssimo envolvido no ministério e já muito cedo me tornei líder da mocidade de minha igreja. Era membro do grupo de louvor. Ministrava à igreja. Por tamanha participação na comunidade, à minha opinião era dada muita importância desde minha adolescência.

Sempre amei e fui amado pela igreja. Sempre fui uma criança alegre e ativa. Até que fui entrando na pré-adolescência e me tornei um ser humano em decadência. Vivi em profunda depressão dos meus 13 aos 17 anos. Foi quando eu já não tinha como esconder de mim mesmo a minha homossexualidade.

Reprimir desejos sexuais é fácil. Castrar-se é fácil. Canalizar sua energia sexual é fácil...Tudo isso é muito fácil diante da terrível experiência de ter que aniquilar o amor. Eis minha condição devastadora: eu amava homens!

Nunca em toda a minha vida eu poderia aceitar a idéia de que eu, logo eu, o bom filho, cristão, respeitado pela igreja, tido como exemplo, estudioso, conhecedor da bíblia... enfim, eu poderia ser homossexual. Deus não poderia me abandonar a uma situação dessas. Isso não acontece com um cristão: foi isso que eu sempre aprendi!

Vivi em luta com Deus durante os próximos anos de minha vida. Jejuava a ponto de ficar fraco. Orava sem cessar. Implorava por cura. Todos os cultos, todas as chamadas e apelos, estava eu lá indo à frente mendigando por misericórdia. Isso durou anos. Cheguei à conclusão de que Deus me abandonara. Tornei-me um rapaz frio, triste e profundamente amargurado.

Namorei todas as meninas que pude. Noivei aos 17 anos. Não abandonei a igreja. Mas não tinha mais brilho nos olhos. Decidi que iria abdicar de ser feliz e de amar. Odiava a possibilidade de vir a tornar-me um gay.

Participei, então, desses movimentos que "curam" homossexuais. Lá me fizeram conhecer um deus mesquinho. Um deus que por capricho decidiu que certos seres humanos, no caso nós homossexuais, temos uma cruz especial: devemos nos contentar em abdicarmos de viver o amor eros. Assim, alcançamos a "cura". Sendo humanos pela metade. Não podemos amar. Cada pequeno embrião de amor que surgisse dentro de nós deveria ser tão logo expurgado, pois se trata de um germe demoníaco crescendo dentro de você. Aceitei a idéia de um deus destorcido que nos faz sentirmos monstros.

Como poderia eu me sentir cristão, remido, lavado pelo sacrifício de Cristo, o sacrifício que levou, antes, todas nossas dores, se o diabo poderia crescer dentro de mim a seu bel prazer me fazendo sofrer ciclicamente? Como entender essa idéia de "curado parcialmente", ou de "humanos especiais". Meu Deus virara um Deus impotente e injusto. Mas havia o consolo: "Deus sabe do sofrimento cáustico de vocês homossexuais", me diziam. "Por isso, vocês terão um galardão maior no céu". Patético!

Eu já estava junto com minha noiva acertando os preparativos para casar no ano seguinte. Sabia que não seria feliz, mas pelo menos estaria construindo meu caminho para ir pro céu. Se esse era o preço a ser pago para que Deus me desse a salvação, eu estava disposto. Mas em um retiro eu conheci um jovem metodista, também líder da juventude, ativo na igreja (não posso falar seu nome, pois ele é ainda hoje muito conhecido e ainda não se revelou à igreja). Nossas almas se cruzaram. Não conseguia parar de pensar nele. Meu mundo ruiu. Mais uma vez, meu coração estava lá me mostrando que Deus não me curou, debochando de minha fé em um deus impotente. A essa altura eu já havia procurado todos os melhores psiquiatras, psicólogos e psicanalistas. Ninguém havia lido tanto sobre sexualidade humana como eu. Foi quando minha psicanalista me sacudiu e me disse: Daniel, você tem que escolher entre sua sanidade ou entre sua auto-mutilação. Não há saída.

Aquele amor foi maior que toda minhas forças já combalidas. Contei tudo à minha noiva. Sofremos juntos, mas hoje ela é minha maior amiga. Ela é um presente de Deus pra minha vida. Comecei um relacionamento fixo com esse rapaz, mas infelizmente ele também não estava preparado para tamanha revolução em sua vida. Quase um ano depois ele me disse: "Jejuei por todos esses dias e Deus me deu uma resposta clara. Por isso estou optando por ser feliz com minha igreja e minha família e deixando minha felicidade afetiva ir embora. Não tenho dúvidas que essa é a vontade dEle" . Essa foi sua opção quando ele me deixou e noivou com uma menina de sua igreja. Seu namoro não durou nem três meses ( hoje ele está casado com um rapaz também metodista).

Quando nos separamos eu fiz algo muito insólito. Eu sempre pedia a Deus para que ele escolhesse minhas namoradas, mas dessa vez eu fui sincero à Ele e falei: "Pai, eu preciso que você escolha a pessoa pra minha vida agora." Três dias depois eu conheci meu atual companheiro. Estamos juntos até hoje. Mês que vem fazemos dois anos juntos.

Há cerca de alguns meses eu contei tudo a meus amigos, parentes e igreja (até então ninguém sabia). Muitos parentes não falam mais comigo. Tive que sair quase que fugido de minha igreja. Aquele jovem até então exemplar já não valia mais nada pra igreja. Até minha mãe foi convidada a retirar-se da igreja.

Hoje tenho visto maravilhas que Deus tem feito na minha vida e na da minha família! Depois de toda perseguição que sofremos dos cristãos (telefonemas acusadores, e-mail ameaçador etc.), nós nos tornamos uma família mais unida do que nunca. Hoje estamos em uma paz que nunca antes houvera entre nós. Até meu pai, tradicionalmente homofóbico (que não permitia nem mesmo que eu e minha noiva nos beijássemos em sua frente) hoje ele tem enorme carinho pelo meu companheiro.

Aos domingos, nós almoçamos juntos em família, eu meu companheiro, meu irmão e cunhada, meu pai e minha mãe. Deus faz maravilhas! Hoje tenho uma verdadeira igreja. Conheci a Igreja Cristã Inclusiva, filiada à MCC (Metropolitan Community Church). Hoje eu redescobri Deus. Descobri sua face verdadeira. Ele é onipotente, tudo transforma, e tudo faz para recuperar aquela ovelhinha que se perdeu de seu pasto.

Quando amei de verdade, eu descobri o alcance deslumbrante do amor! Se eu sou capaz de amar assim, imagine Deus!

Deus me fez, hoje, um cristão autêntico: feliz, próximo a Ele, radiante de sua alegria e despenseiro de graça e amor, anunciador de um evangelho que não é lei que mata, mas espírito que vivifica. Um evangelho que dá salvação em alegria, por amor a Ele; e não um evangelho que salva por autopenitência.

Espero, sinceramente, que todos possam conhecer esse Deus maravilhoso que me faz tão feliz.

Daniel Moraes
Membro da Igreja Cristã Inclusiva
Rio de Janeiro - RJ
www.icmbrasil.com.br

segunda-feira, junho 06, 2005

GOSPEL GLBT
Venha participar conosco do grupo de discussão formado por GLBT's cristãos e tire suas dúvidas sobre sexualidade. Você terá a oportunidade de conhecer pessoas legais de todo o Brasil, além de poder dividir suas alegrias, tristezas com quem também já sofreu os mesmos dilemas.

Aguardamos você, pois também falamos a sua língua.


Junte-se a nós!
http://www.grupos.com.br/grupos/gospelgay

domingo, junho 05, 2005

SE ASSUMIR?



Ultimamente tenho refletido muito sobre toda essa história de "sair ou não sair do armário". Que coisa, seria bem mais fácil se nós, homossexuais, não nascêssemos dentro de uma caixa assim, hein? Que trabalhão, depois crescer e ter de sair de dentro dele... ou não e permanecer dentro pela vida inteira, dentro dessa caixa escura, com cheiro de mofo e muito apertada!! Os dois lados têm coisas positivas e negativas... mas penso que só se afastariam de nós aqueles que nunca estiveram perto realmente, aqueles que amavam uma casca, uma aparência e não a essência da pessoa efetivamente.

Tenho passado anos trancado aqui dentro, mas sempre conseguindo olhar o mundo por uma frincha, às vezes até consigo sair, qdo não tem ninguém me olhando, e me arrisco a dar umas voltinhas pelo mundo... mas sempre muito desconfiado e um tanto preocupado. Mas preocupado com o que exatamente? Dizer que ninguém na minha família sabe que sou homossexual é um absurdo tremendo, claro que sabem, oras! Sou sim uma pessoa discreta, não gosto de chamar a atenção de ninguém e em lugar nenhum, mas isso bem mais socialmente, dentro da minha casa e da minha intimidade, oras, será que nunca me deslizei em alguma coisa? Nunca nada pra que tivessem certeza do que e quem eu realmente sou? Se esqueceram de qdo eu ainda era muito criança e, na minha inocência, sempre mencionava me "casar" com personagens masculinos?

Um dia alguém na escola chegou e me perguntou se eu era gay... nessa época eu não me policiava na minha forma de andar, falar, brincar... ouvi o que esse alguém me perguntou e quis sair correndo dali pra nunca mais voltar, senti vergonha e chorei muito, muito, muito!! Hoje consigo passar por muitos ambientes e ninguém se dar conta sobre minha sexualidade, hoje me pergunto do que senti vergonha exatamente. Será que minha família que convive comigo há tanto tempo nunca percebeu nadinha? Claro que sim, do nada tenho tido certeza disso à cada dia que passa!! Então o quê? Tudo inundado em hipocrisia mesmo, é assim que gira a relação deles pra comigo?! Pq ainda tenho que suportar ouví-los falar mal do que tenho certeza que eles sabem que sou tb? Não sou atingido pelas pedradas que eles lançam, não lanço pedras junto com eles, mas me mantenho omisso sempre, um negligente nessa minha inércia maldita!!

Mas minha vida caminha, de um jeito ou outro tem caminhado, ainda que meus passos sejam sempre em torno de mim mesmo, em torno do nada dentro desse armário apertado e escuro. Mas tenho feito isso por uma única pessoa: minha mãe! Nasci qdo ela já era meio idosa, foi educada num interior esquecido do país, viveu num mundo muito pequeno e muito sem horizontes, tenho muito medo de que aconteça algo a ela por saber oficialmente ter um filho homossexual... sempre com um discurso favorável aos gays ela sorri e é solidária à causa, mas como seria ela saber com certeza ter um filho gay? Temo, não quero carregar culpa nas minhas costas, temo um dia ser agredido e acusado pelos meus irmãos, temo que um dia ela morra e a idéia correnta seja a de que "ela se deprimiu após um certo acontecimento, nunca mais foi a mesma mulher feliz, a tristeza interior e a dor que passou a sentir no coração fê-la morrer afogada num mar de mágoa e aflição"!

Fernando Nowackz

quinta-feira, junho 02, 2005

Caríssimo César Marinho,

A graça do nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai, e a comunhão do Espírito Santo estejam contigo.

Fico feliz por você ter utilizado o nosso espaço democrático, como você mesmo denominou, para fazer-se ouvido por nós. De toda a forma, o espaço é para isso mesmo, e como nós o ouvimos, sentimos que devemos, também, falar, afinal, seria muito chato um diálogo sem respostas. Isso demonstraria indiferença de nossa parte, mas nós não somos assim; queremos escutar a todos e falar com todos, que queiram esse contato.

Sabe César, fico demasiadamente chateado, por saber que um dia você sofreu tanto vivendo uma vida que não te satisfazia, a ponto de você viver o "inferno"! Sabe, e é isso mesmo, o inferno todos nós vivemos, quando não nos encontramos identificados na pessoa de Jesus: em suas palavras, e na sua própria vida- que foi vida de cruz pela humanidade;partilhando-se em comida e bebida- pão e vinho- Carne e Sangue, por todos nós pecadores. Afinal, todos pecaram e destituídos de Deus se encontravam (Rm 3,23). Isso quer dizer, que heterossexuais, homossexuais, bêbados, não bêbados, viciados, não viciados, enfim, todos se encontravam nesse mesmo "inferno". Independente das obras, das ações ou do que poderiam fazer para se tornarem melhores...

Entretanto, terei que discordar quando você sugere não interpretarmos o que lemos nas Escrituras- afinal, é a própria Escritura que nos orienta a interpretar tudo, reter o que é bom e descartar o que não serve (I Ts 5,21). Isso se aplica a ele mesma. Ou seja, a própria Escritura- A Palavra de Deus deve ser interpretada e seguida conforme a iluminação e a crítica construtiva.

Em relação às drogas, ledo engano seu mesmo! Imagina, de repente, você, sem nenhum conhecimento psicológico, induz a um sujeito de temperamento melancólico a se drogar com você... isso poderia trazer conseqüências de reforço obsessivos no caráter do sujeito, e até mesmo a depressão. Afinal, a maconha, ou outras drogas, que proporcionam a abreação, em indivíduos de temperamento introspectivo, não devem ser aplicadas ou usadas, pois funcionam com efeitos opostos a abreação, aumentando o transtorno psíquico. Mas, se fosse aplicada em uma clinica de neurologia, psiquiatria, em sujeitos atormentados com os horrores da guerra, ou sobreviventes da Tsunami, sobreviventes ao 11 de setembro, enfim, traria um tratamento considerável na reconstituição da vida dessas pessoas. Eu, por exemplo, tomo duas aspirinas por dia, e todos medicamentos, como você bem sabe, são drogas, mas essas aspirinas evitam derrames, enfartes, dores musculares... por outro lado causam ulceras, gastrites etc. Portanto, antes de alguém usá-las, deve-se consultar o médico. Ainda sobre as drogas, teríamos que repensar sobre os esquizofrênicos suicidas, que precisam de altas quantidades do famoso "sossega leão" que os deixam dopados, viciados, mas os mantém vivos. Entretanto, o tipo de droga que você usava faz muito mal, não pelo uso imediato, mas pelo financiamento do narco- tráfico, dos seqüestros, da matança e, tudo em nome dos rios de dinheiro que isso manipula ou concentra. Substitui o que é humano, por aquilo que você paga e nada mais... no fim, vidas inteiras estão à beira da falência. Mas não sei se culparia somente as drogas; culparia, também, essas mesmas famílias que não souberam demonstrar amor, carinho, aprovação, fazendo com que os seus se desgarrassem e fossem procurar o PRAZER naquilo que chafurdaram toda sua caminhada- pela ausência do companheirismo: A SOLIDÃO. Portanto, realmente, ledo engano, mas não apenas seu, e nem de culpa somente sua. Não são todos que conseguem superar o caminho da existência, vivendo...

Também terei que discordar, quando você diz que o pecado só existe quando conhecemos a Deus, ledo engano seu, novamente! Independente deu conhecer a Deus ou não, deu dar conta de Deus ou não, o pecado existe e se faz presente no egoísmo, na indiferença, que destrói a humanidade, que destrói o individuo e o aliena. Já dizia um psicanalista, muito famoso, que o sujeito (eu) se complementa no outro (para além do eu). Jesus dizia: "Ama a Deus sobre tudo e todas as coisas; e ao PRÓXIMO como a ti mesmo". Portanto, independente deu conhecer a vontade de Deus, peco e me destruo e destruo tudo a minha volta, quando não consigo agir para aquilo que a humanidade foi chamada; a busca pelo outro. Aliás, o homem (Homo sapiens) jamais seria homem (Homo sapiens) sem o auxilio da comunidade, da tribo onde ele se estabeleceu... portanto, o pecado existe e destrói, na indiferença e no egoísmo. (Rm 5,12-21) Jesus nunca disse que o pecado não existia antes de conhecermos a Deus, segundo, o que Paulo disse foi: "mesmo não conhecendo pecado MORRERAM!" e sabe por quê? Porque todos pecaram... Então, enfim, não sei se devo levar isso em conta, pois sua interpretação bíblica foge muito do que ela diz. Entretanto, você se baseia na sua experiência, e a partir da sua experiência, você interpreta as Escritura e fala a nós, mas as experiências são únicas e eu tenho a minha, e na comunidade Gospel GLBT cada um tem a sua, e elas não são parâmetros para dizer o que é ou não pecado, entretanto, você se baseia na sua experiência, interpreta as Escrituras, e diz que estamos pecando, mas a partir de sua experiência, pois até mesmo os textos em que você argumenta, você os rouba o sentido. Ainda que você diga para olharmos a Bíblia, isso você faz segundo o que você acha...

E é através disso que você nos fala e nos compara aos drogados, ninguém aqui disse que as drogas são boas, ou ruins, falamos da homossexualidade, sua experiência com as drogas foi lamentável, não porque você tomou uma aspirina, ou fumou uma maconha, ou bebeu um copo de cerveja, mas pelo fato de seu dinheiro financiar o tráfico, ou dinheiro de quem você roubou, e pelo fato de você se fechar a tudo e a todos e procurar a sua realização como pessoa, fora das pessoas, mas naquilo que alimenta a solidão. Naquilo que te distancia da sociedade, antes você tivesse reunido os amigos e bebido uma cerveja e falado da vida. Não alimentaria a solidão, não roubaria de ninguém, não alimentaria o tráfico e, nem pecaria. Pois você estaria reunido com os seus e teria comunhão com eles, choraria e se alegraria na presença daqueles que brindariam a mesma situação presente. Sem esconderijos, sem ilegalidade, sem egoísmos, sem se fechar...

Contudo, se estivéssemos na Holanda, onde o uso de drogas como a maconha é liberada pelo Governo, ainda assim, não recomendaria, pelos estudos que se têm. O uso excessivo e contínuo da maconha pode comprometer a estrutura neurológica dos indivíduos; entretanto, lá não seria pecado, pois não vai contra as regras, mas seria destrutivo... talvez em indivíduos compulsivos, portanto não seria legal, pois o que destrói voluntariamente o corpo, destrói a vida. Só por isso!

Sei que Deus nos quer por inteiro; corpo, alma e espírito, não só a alma e não só o espírito. E portanto, ele quer uma sexualidade sadia, pois a sexualidade trata diretamente no corpo e na psique (grego),na anima (latim)- alma. Entretanto, você diz que não nos acusa, e aqui gostaria de falar um pouco da psicologia envolvida no seu discurso. Como você diz que não nos acusa uma vez que nos compara aos drogados? É que segundo você, essa foi a sua vida de inferno. Olha está implícito em seu discurso, para onde você está nos mandando, ou aonde você nos têm. Você nos julga, e por isso prega para nós a conversão. Jamais você poderia fazer isso, pois para tal você teria que ser o próprio Deus. Alguém só pode pregar a conversão a alguém, quando este já fez o seu juízo, e percebo que você fez o seu... mas novamente, influenciado pelo ledo engano de se achar capaz disso.

O seu juízo se estabelece na ideologia do EX: ex-marginal, ex-drogado, ex-prostituta, ex-homossexual, ex-traficante, ex-ladrão, ex- seqüestrador etc... A Igreja Evangélica está assim, repleta de ex, o que para mim é lamentável. São pessoas que, por falta de identidade especifica, que os mostre e os diga quem, realmente, são, agarram-se no passado, como propaganda daquilo que, supostamente, deixaram de ser, se punindo ao mesmo tempo nutrindo em si mesmos os velhos prazeres que não deixaram largados. Na verdade você quer um Pai, uma lei, que te puna, que te condene, e isso pelo histórico que você carrega. Na familia pela falta de atenção, pelo se sentir sem espaço, sem amor dos pais, sem apoio, sempre criticado, por se sentir imprestável, daí esse é o único sentimento de amor que você conhece; o que te julga, e o que te faz julgar... e o pior, sem ao menos nos conhecer...

E agora César, quem é você? Até então para mim você é uma pessoa que não aprendeu nada com seu passado e, que sente falta dele, por isso faz questão de lembrá-lo, logo no inicio do seu e-mail, se colocando como ex-drogado. Mas quem é você? Você não se apresentou, discursos desses dos "ex" já cansamos de ouvir, você não nos disse de você, quem é você, o César? Talvez, você não consiga se apresentar, pois nem ao certo, você sabe quem é. Afinal é difícil viver sem um passado, ou melhor, dizendo que do passado nada aprendeu, nada aproveitou, nada lhe foi útil. O que se tem então é alguém sem passado, sem identidade, sem coisas boas, sem uma face para poder dizer sobre ela. Na verdade eu nunca fui ex, e portanto posso falar de mim... e estou falando... porque mesmo no passado, ainda sem conhecer a Cristo, nunca minha vida foi baseada em algo efêmero, ou sem construção. Quando a Cristo conheci, entendi o que era ser cristão e sou, e o "inferno" de outrora, pois não reconhecia o valor dos outros, se transformou em bênçãos vindouras, pois até mesmo os meus relacionamentos, que antes eram desprezados, no passado, vieram a ser importantes, pois foram humanos... e compreendi, que na peregrinação, e no convívio com todos que estiveram a minha volta, ali, pude ver um pouco da face do Cristo partilhado pela nossa salvação. Não vivo a ideologia do ex, pois ela nos retira o rosto. Por isso, entendo que, mesmo não sendo sua intenção nos julgar você o faz, pois o juízo é tudo que lhe resta, tudo lhe cabe, e tudo que você precisa para se dizer cristão e, se punir por um amor que nunca te deram. Assim você compreende o amor... mas quem é você? Eu ainda não sei.

Agora sobre a homossexualidade, se você realmente estivesse interessado em nós, antes de nos julgar, ou de nos comparar com qualquer um ou situação, você teria feito um estudo bíblico, teria ido a um psicólogo, perguntando o que é a homossexualidade, teria querido nos observar, e até mesmo, sua abordagem seria de curiosidade. Mas você não quis nos conhecer, pois você jogou fora seu passado, você nem ao menos se apresentou, disse quem era, se você, realmente, estivesse interessado em nós, você procuraria entender nossos dramas e saber como interpretamos as Escrituras, mas você como não se conhece, não nos conhece e, portanto, você nos julgou incapazes, até mesmo, de termos nossas próprias interpretações. E ainda, nos orientou a não interpretarmos, apenas ler o que está Escrito. Sabe, você não se interessa nem por sua história nem pela nossa. Isso é lamentável, pois quem sabe o inferno ainda se faz presente em alguém que joga ao vento suas memórias, sem nada construir nelas. Daí, entendo a necessidade de você falar de si, como ex-drogado, isso te conforta( te dá um passado) e te dilacera (você se menospreza).

Portanto César, reflita também, como nós refletimos, e não deixe que nada atrapalhe o seu encontro, contigo mesmo, e com Deus, pois se não amarmos a nós mesmos, não poderemos amar a Deus e nem ao próximo.

Em relação postar no blog, isso não será possível, pois o blog é para a comunidade Gospel Gay, assuntos que se relacionam com nossa realidade. E seu e-mail não fala nem de você e nem de nós. Então fica difícil.

Fraternalmente em Cristo

Gospel Gay
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