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LGBTT MAIS O QUÊ? : O ACRÔNIMO DA DISCÓRDIA, DA REVOLTA DE TODOS CONTRA TODOS.

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Lembro-me com saudosismo da época que minha única preocupação era ser gay e não sofrer  por isso. Como eu, milhões vivam situação análoga, o armário era uma realidade dizível, confortante e, ao mesmo tempo, assombrosa.
Assombrosa, pois ser arrancado de lá, digamos, era cruel, infame, vexatório para si e para a família, era ter direitos a menos, ou melhor, era não ter direitos, pois sua expressão e individualidade eram negadas pela sociedade como todo, sendo a única opção calar-se diante do desprezo da família, dos amigos, da igreja, dos colegas, dos vizinhos, enfim, anular-se.
Obviamente que esse saudosismo se faz pela idade que vai avançando (é, estou ficando velho!), os tempos mudaram, as conquistas vieram, nossa luta e inserção obtiveram resultados significativos, embora ainda exista um quê rançoso em ser homossexual, temos direitos reconhecidos, já não somos anulados pela indiferença, ou ignomínia social, o debate avançou, a expressão individual e o direito a ela prevalecem na s…

SER FORA DO MEIO

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Seria um clichê despudorado, um chove não molha daqueles que toda a comunidade está cansada de dizer e repetir, como se fosse um mantra, para nunca esquecerem: ser fora do meio é um horror!
Isso seria verdade caso a  sentença em si não estivesse plena de sofismas conceituais, elegendo-a na categoria de um rótulo minimalista, que não serve para nada, produzindo a solução mágica, contudo não atacando o problema de fato.
A nossa militância, ou melhor, a nossa comunidade não difere muito do pensamento religioso e seu modus operandi: o tempo todo está à procura dos inimigos externos. A religião não sobreviveria sem eles, afinal, dão forma, sabor, é aquele tempero que condiciona o ideal, é o paradigma que aponta contra o que e quem se lutar. Não bastasse o preconceito, passamos eleger inimigos secundários, começamos em nome de uma diversidade infinita diluir-nos em siglas, acrônimos, como se um preconceito comum a todos fosse específico de um grupo dentro da comunidade e não de outros.
Dessa…

Adão e Ivo, uma variante possível!

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O desejo travesti de Adão
por: Renato Hoffmann
Certa vez, eu conversava com um professor de Letras, da UFMG, momento em que me surpreendi com o olhar sobre o personagem Frankenstein, da escritora romântica, inglesa, Mary Shelley. Na ocasião, o professor   relacionou-o como o primeiro travesti da história da literatura. A analogia usada, em tom de poesia, foi muito curiosa, significativa, além de bela e provocativa. De forma contemporânea, claro, sem se dar ao método de uma exposição acadêmica, contudo de uma riqueza inenarrável.

Vez ou outra, escutamos por aí que: “Deus criou Adão e Eva e não Adão e Ivo”, assim sendo, os favoráveis a esse argumento concluem:  “esse mesmo Deus não é a favor da homossexualidade, pois, se fosse, ele teria criado o homem para o homem, a mulher para a mulher e não a mulher para o homem”. Ora, sabemos que a Bíblia não fala literalmente em um Adão, não o estabelece como um único homem criado. A expressão hebraica para Adão, no sentido amplo, é Adamah: terra, so…

Genizah Virtual X Hermes Fernandes

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Há um bom tempo parei de escrever artigos para o Gospel Gay, embora ainda seja responsável, junto com João Marinho, pela manutenção do blog.

Hoje, contudo, não deu para segurar a surpresa, estranhamento e necessidade de dizer algo sobre o que vi e nunca pensei que tal coisa pudesse acontecer.

Refiro-me ao rompimento declarado entre o site conservador, fundamentalista e direitista gospel: GENIZAHVIRTUAL e o bispo Hermes Fernandes.

Danilo Fernandes, responsável pela manutenção do GENIZAHVIRTUAL, escreveu um longo artigo (AQUI), neste, o autor acusa o bispo Hermes de apostasia e o motivo, dentre vários, seria o apoio de Hermes à agenda de esquerda, que o faz buscar holofotes, se associar ao PT e, inclusive, defender a “ideologia de gênero”, atacando, portanto, a psicóloga e “educadora”, Marisa Lobo, desconstruindo a imagem dessa.

O absurdo do ataque chega fazer a previsão de que em breve Hermes estará celebrando casamento gay em suas paróquias. Digo absurdo, pois o mesmo Hermes já se…

Sobre a pressão imigratória

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por João Marinho Gente, eu, como muitos, fiquei bastante consternado com a morte das crianças sírias tentando atravessar a Turquia, mas, ao mesmo tempo, preocupado com o tom antieuropeu que a discussão tem tomado, principalmente por parte de esquerdistas.
De um lado, devo dizer que eu consigo entender o receio dos europeus. No Brasil, nossa comunidade muçulmana é pacífica. Entre outros motivos, por ser muito pequena.
Em países europeus, no entanto, nem sempre a convivência é tão ideal. Na Inglaterra, há bairros inteiros onde se procura implantar a Sharia, em vez de seguirem as leis do Estado. Na Holanda, gangues de jovens islâmicos agridem gays e lésbicas na rua por seu "pecado": há alguns anos, o país precisou instaurar um regime em que solicitava ao imigrante muçulmano uma declaração de que aceitava as leis liberais holandesas, não sem ouvir acusações de ser "xenófobo".
Quantos jovens europeus, nos últimos meses, têm sido seduzidos e aliciados por pregadores muçu…

Trans crucificada na Parada Gay

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A trans crucificada na Parada, ou a blasfêmia que não existe
por João Marinho
É duro ser óbvio.

Mas uma performance artística como a da Viviany utilizou um forte simbolismo que não é cristão, é universal: a crucificação, de Cristo, como forma de martírio dos excluídos.

Esse simbolismo aparece ao longo de toda a história ocidental nas artes, na filosofia e em numerosas outras instâncias – e nunca foi monopólio das igrejas. Aparece até em países não ocidentais e não cristãos.

É tão correto e universal utilizar esse simbolismo quanto utilizar os simbolismos trazidos pela mitologia grega, por exemplo – que, igualmente, estão presentes nas artes, na filosofia, na psicologia e, vejam só, até nas produções de pensadores cristãos!

Será que Freud precisou ser um grego converso e consultar o Oráculo de Delfos para fazer referência a Eros e Psique e até nomear alguns elementos da psicanálise assim?

Será que, quando você chama uma pessoa de "Judas", não está fazendo uma referência ao simbolism…

Homofóbico não é gay enrustido

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por João Marinho
Leio esta notícia e, para meu (não tão grande) espanto, vejo muita gente, inclusive gays e inclusive simpatizantes, regurgitando aquele discurso de "tá vendo? Todo homofóbico, no fundo, é gay enrustido".

Será?

Esse discurso de que "se é homofóbico é porque é gay e não se aceita" é bem perigoso, porque joga nas costas dos gays não apenas o fato de serem vítimas da homofobia, mas também de serem seus agentes.

Quer dizer, então, que se você é gay e é agredido por um jovem com uma lâmpada na avenida, é porque aquele jovem é gay também (e não se aceita)?

Quer dizer que se você beija seu namorado e é severamente agredido por quinze  membros de uma torcida organizada no metrô, esses 15 são gays também (e não se aceitam)?

Quer dizer que se você é um adolescente e morre pisoteado por outros adolescentes que praticam bullying porque você tem pais adotivos gays, é porque esses adolescentes agressores são gays também (e não se aceitam)?

Quer dizer que se você …
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